Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Vitória por falta de comparência

O tempo vai passando e parece cada vez mais claro que não vai surgir nenhum modelo “alternativo” para a economia local e mundial. Com mais ou menos regulação, provavelmente ficando muito próximo do que vigora, o capitalismo continuará sem alternativas consistentes. E, no entanto, esta era a grande oportunidade para os que garantem que “um outro mundo é possível” atacarem em força. Com o capitalismo pretensamente debilitado pela crise era o momento certo. Mas… ninguém se chega à frente. Confirma-se, assim, o que era previsível desde o início. A crise que atravessamos, em vez de fragilizar o capitalismo, vem reforçá-lo. Sobretudo por falta de comparência dos adversários.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Street view


O Google anda por estas bandas a tirar fotografias de 360 graus.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Efeméride

10 de Julho de 1509: nasceu, na cidade francesa de Noyon, João Calvino.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Calvino e o calvinismo

“Eu abraço a teologia calvinista não por causa de Calvino, mas porque a aprendi de Cristo”, disse George Whitefield, um dos principais do Grande Despertamento do século XVIII, a par dos seus amigos arminianos Charles e John Wesley (este pregou no seu funeral).

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Calvino e a ideologia

"No que diz respeito a Calvino ter sido o “pai do capitalismo”, a opinião generalizada dos estudiosos de Calvino é que é uma caricatura, baseada na compreensão muito limitada, e até distorcida, da sua obra. Segundo Visser’t Hooft, o socialismo, e mesmo o comunismo, também poderiam reclamar Calvino como seu “pai”. Cita o famoso slogan comunista “a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades”. Lenine citou esta frase de Karl Marx. Mas nem Lenine nem Marx se aperceberam que a frase vinha quase textualmente de Calvino que, trezentos anos antes, no seu comentário sobre II Coríntios 8:13 e 14 *, dissera os seguinte: “Deus deseja que haja tal analogia e igualdade entre nós que cada um socorra os pobres segundo as suas possibilidades a fim de que alguns não tenham em excesso enquanto outros sofram penúria”.

Alan Pallister

* “Mas, não digo isto para os outros tenham alívio, e vós opressão, mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade;” (II Coríntios 8:13 e 14)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Calvino e as Escrituras

"Ainda muitos livros serão escritos procurando entender todas as dimensões sobre as quais a Reforma Protestante deixou o seu legado e as mudanças que causou para a história da humanidade. Para que esta reforma acontecesse, vários pequenos e grandes movimentos foram postos em curso pelo Senhor da História. Um destes movimentos deu-se na área da interpretação das Escrituras, que foi libertada da interpretação alegórica e da força da tradição da igreja da Idade Média. Grandes intérpretes foram levantados por Deus e capacitados com várias sortes de dons e talentos para que um grande salto pudesse ser dado na história da interpretação. Neste contexto é que aparecem os comentários de João Calvino, um grande teólogo, pastor, lingüista, intérprete e comentarista do seu tempo."
(...)
"Como filho de seu tempo, lutando contra séculos de interpretação alegórica e tendenciosa, Calvino deu passos visíveis em direção contrária. Ele afirma que “O verdadeiro significado das Escrituras é aquele que é natural e óbvio”. A habilidade em ir “da mera letra, além” e observar a intenção das palavras e seu autor é fundamental para qualquer intérprete e, principalmente, para aqueles que vão interpretar as Escrituras."

Aqui.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Calvino e lugar do homem

“O ensino de João Calvino primeiramente humilha o homem; glorifica a Deus. Faz o homem sentir-se insignificante, sentir-se pessoa inútil; e por mais privilegiado que seja, ou mais capacitado para realizações, ele sabe que é Deus que o faz.”
Martyn Lloyd-Jones

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Música dos 80 - NZZN



Uma das grandes canções dos primeiros tempos do chamado "rock português".
Mas também, falo agora do vídeo, um retrato do Portugal a meio caminho entre a revolução de 1974 e entrada na CEE. Reparem na falta de posse, na falta de produção visual dos músicos. Não era só a inocência dos primeiros tempos. Era também um Portugal ainda fechado e, para o bem e para o mal, pouco importado com embalagem do produto.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Toi

No ranking, o Toi estava em segundo. Antes dele vinha o Billy, sem dúvida o gajo com mais jeito para o desenho que eu conhecia. Não era só. Também foi o melhor guitarrista e o que, sem dúvida, mais estilo tinha, com o seu ar meio rockabiily, meio homem das obras.

Mas é do Toi que me quero lembrar. Era pobre, simpático, com uns dentes miseráveis de cáries logo ali à entrada do sorriso, um bom pé esquerdo e uma boa velocidade no Interturmas, mas um péssimo aluno nesse 9º ano que partilhou comigo.

Tinha um talento incrível com o lápis, compensando na liberadade que a brejeirice concede, e num bom sentido de humor, a falta de qualquer tipo de educação em termos técnicos. Foi a primeira pessoa a falar-me da Escola António Arroio, onde depositava todos os seus sonhos de realização. Discorria imensas vezes sobre esse lugar, com uma veneração e um entusiasmo que me faziam ter um respeito ainda maior quando me dizia, enquanto me dava toques com o cotovelo,
“Já viste o que era?”
e repetia
“Já viste o que era?”
sonhador deslumbrado de uma fuga a aldeia de Francos e á brutalidade de um futuro mais cinzento e concreto como mecânico ou trolha.

Alternava estas elevações de aspiração artística com os arrotos e os gases estrondosos que libertava e que o faziam rir a ele, e a nós todos, por serem mesmo de amplitudes sonoras fora do comum. Também as piadas iam invariavelmente parar aos atributos fisicos de uma qualquer estrela feminina da televisão, tipo Bruna Lombardi, e não havia nada de mais sério ou profundo a que se pudesse aspirar vindo do Toi.
E isto fazia-me confusão, porque,de vez em quando, levava para escola o trabalho que fazia. Havia ali uma sensibilidade e cuidado na paisagens que pintava que, de tão distantes das suas piadas e graçolas de caserna, me deixavam sem saber o que pensar. Depois, aquietava-me e deixava de tentar compreender. Afinal, qual é o artista que não é paradoxal?

Na turma, eu era o segundo melhor a desenhar. A minha onda era mais carros, casas, embora não me safasse mal em caricaturas e bonecada. Costumávamos trocar desenhos, que um começava e outro continuava, para depois voltar a ser continuado pelo que iniciara. Isto aulas a fio até chegarmos, aparentemente satisfeitos, ao glorioso chumbo lectivo de ambos.

Estava aqui a pensar se o Toi terá conseguido chegar à António Arroio. O Billy sei que deixou a musica e nunca seguiu as artes: hoje monta janelas, caixilhos e marquises. Será que algum deles estará a pensar se o Leal terá tirado o curso de Design Industrial e cumprido o sonho de desenhar automóveis em Itália?

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

GNING

(...)
Convenci-me, então, que não me incluia em nenhum grupo, a não ser, claro, no Grupo dos que Não se Incluem em Nenhum Grupo.
Ser um membro activo do GNING, um GNING a sério, dá trabalho. Não basta dizer que se é. São precisas horas de Gning esforçado a sair-nos do corpo, com todos os sacrificios inerentes em termos pessoais e sociais, para que um atinja um nível mais ou menos razoável.
A Vontade de Não ter Idolos é determinante, é certo, mas mais importantes ainda são a Desconfiança e a Falta de Interesse. Se a isto se conseguir juntar um Sei Mais do que os Outros, sendo que a equação seria

D+FI+SMOxVNI =1

estamos no caminho certo para podermos aspirar às cerminónias iniciáticas GNING.
A iniciação GNING começa bem cedo para a maioria das pessoas. A vontade de contestar à esquerda e à direita e acima e abaixo são os primeiros sinais. O balanço correcto é árduo de se obter, mas por volta dos 30 anos de idade a recompensa vale a pena. Já com a Ironia e o Sarcasmo bem afinados, o Gning adulto move-se, quer subtil, quer arrojadamente, com eficácia em qualquer ambiente.
A procura de isolamento voluntário, muito diferente dos tão comuns isolamentos por birra e por mágoa, deve ser auto-incentivado. Perceber que o poder estar sozinho quando se quer é o bem maior que se pode ter é imperativo. As dúvidas, que ocorrem quando um sabe que há conhecidos a divertir-se à grande algures, e que ocorrem principalmente à noite, devem ser contrariadas por actos de fé como ver televisão, jogar jogos video, alugar dvd's ou, em casos limite, telefonar à familia.
O gozar com grupos ajuda. O fuçar em toda e em qualquer contradição de grupos organizados tem resultados garantidos. Religião, Política e Modas Culturais são brincadeira de crianças. Já o Desporto oferece mais luta e só Gnings já com um certo arcaboiço poderão aspirar a desprender-se desses tão mais dificeis do que todos os outros caminhos.
Como terceiro passo iniciático, é necessário ao GNING construir a ilusão de que a sua vida tem um propósito maior do que o da maioria dos mortais: não pertencer. Esta ilusão poderá estar ligada, ainda que de um modo leve, a algumas patologias psiquicas como a Megalomania. Ao membro Gning convém ter projectos em curso numa fase inicial da sua adesão. Mais tarde, com a maturidade Gning, atinge-se o maravilhoso estado de Afinal Nâo Preciso de Fazer Nada. São raros os crentes que atingem este estado.

(...)

In Por Dentro do Gning: Uma Viagem ao Submundo do Nada, Vincent Bengelsdorff, Lisboa 2009

 
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