A humanidade que todos temos dentro, num choro de bebé, invadiu e conquistou um Espaço Aberto na tarde de ontem.
É bonito, poético e a mim deixou-me a pensar.
“Open Space”. É assim que me dizem que se chama o escritório em que trabalho. Eu preferiria “Espaço Aberto”. Faz-me lembrar o campo e o ar livre. Ao invés, Open Space faz-me lembrar como somos parvos em Portugal, com esta história do inglês como caucionador automático de estilo, modernidade e sofisticação.
Somos uns 20 concentrados no seu ecrans 8 horas por dia. Estamos separados por biombos separando departamentos. Ouvem-se os telefones tocar. Uma ou outra conversa. Mais raramente risos. O ruído omnipreente do ar condicionado.
Ontem a humanidade surpreendeu-nos. Alguém trouxe o bebé recém-nascido para mostrar aos colegas. A criatura de vez em quando chorava, trazendo os seus gritos esforçados uma estranha sensação de paradoxo.
De alguma forma, uma manifestação do que é mais instintivo na natureza humana fez um raid no espaço cinzento, técnico, frio, burocrático e repleto de tensões profissionais. Não é suposto essa parte melhor de nós ser evocada quando estamos a trabalhar. Houve ali o seu quê de heresia. As nossas máscaras profissionais não se sentiram à vontade ou coisa parecida.
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
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13:41
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Joao Leal
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terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Perversidade ou Incompetência?
Propositadamente, cometeu-se um erro processual de modo a que as escutas fossem consideradas nulas.
Terei percebido bem? Espero que não, chiça.
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15:01
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Joao Leal
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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
(Com algum atraso - o método “papel, caneta e entregue em mão” não se compadece com o mundo instantâneo da internet, mas ainda perfeitamente a tempo, aqui fica o comentário do Leal responsável pelos quatro Leais que aqui escrevem sobre a polémica em torno do novo livro de José Saramago).
Ao ler os discursos críticos, negativamente, à Bíblia e insultuosos à pessoa de Deus, do personagem que o Pedro encontrava nos transportes, eu voltei cinquenta anos, ou mais, atrás. As mesmas palavras de José Saramago e do cavalheiro dos comboios, eu as ouvi várias vezes. Pensava que esses ataques à Bíblia e insultos a Deus eram o resultado da reacção à cruel intolerância e à injustiça do Nacional Catolicismo, que governava na época. Ouvindo José Saramago concluo: ou o escritor vê sinais de Nacional Catolicismo a recuperar o poder, ou repete automaticamente o que aprendeu há muitos anos.
Saramago, como escritor, é merecedor de todos os prémios que recebeu em Portugal e em tantos lugares do mundo. Isto não se discute. Mas pode-se estranhar, e até discordar, da recitação do seu catecismo da contradição. O catecismo de José Saramago diz que Deus não existe, é imaginação dos indoutos, não progressistas, e ao mesmo tempo afirma que Deus é culpado, responsável por actos concretos, ou seja, actuação existente e não do imaginário.
Depois, para defender o seu livro, Saramago fala de escritores que usaram temas bíblicos e refere “José e os seus irmãos”, de Thomas Mann, três volumes dos quais eu só li o primeiro. No entanto, poderia, como português, sugerir “Moisés e outras páginas bíblicas”, de Agostinho da Silva, que é mais actual, 1977, e pode servir de comparação com “Caim”.
A Bíblia continuará a ser “a glória da Humanidade”, como declarou António José de Almeida, fundador do jornal República e Presidente da I República. Quando os catecismos se tornarem objectos de museu, a Bíblia continuará a ser o que ela é: a regra de fé e prática, seja para que alguém siga os bons costumes que lhe permitam praticar a justiça e viver em paz com o semelhante (próximo), seja para que alguém encontre a salvação para a sua vida.
Jorge Leal
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14:04
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Pedro Leal
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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Depois de almoço, o silêncio de Verão trespassava a aldeia de um modo suave.
A avó estaria no quintal. Os meus irmãos estariam talvez na sala ou numa das suas explorações adolescentes pelos montes que tomam conta da Segueteira. Talvez andassem na horta da avó ou no rio a tentar apanhar bichos (rãs, libelinhas, peixes) ou a fazer pontaria com as canas aos cabos de alta tensão ou a subir e a descer as árvores do pomar.
Sozinho em casa, deitava-me na cama do meu tio com um livro do Tio Patinhas. A janela entreaberta. O ruído agudo e esforçado de uma motorizada passando na estrada. As altercações das galinhas no quintal. O cheiro a sabão azul da roupa a ser lavada pela avó.
Mas era o respirar suave e omnipresente vindo das fábricas de mármores, das lâminas cortando a pedra, que me embalava. Adormecia a olhar para as fotografias na parede do meu tio na América, para a guitarra arrumada em cima do guarda-fatos com porta de pano, para a secretária com o pisa papéis de vidro com uma Bíblia dentro ou para aquele grande volume laranja dos sermões do Spurgeon (o homem baixo de cartola na cabeça)
Acordava passado uma hora ou duas com tudo igual, seguro de que o mundo, o meu pequeno mundo, não poderia mudar e que, mesmo não o sabendo dizer então, eu era feliz de um modo preciso, transparente e exacto, diferente de todas as outras felicidades que desde então experimentei.
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13:52
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Joao Leal
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Progresso...
… é a filha de nove anos calçar, na aula de ginástica, os ténis da mãe.
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Pedro Leal
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terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Deus Pai como uma enorme e bem disposta mulher afro-americana que quer que lhe chamem Papá
Jesus como um carpinteiro de nariz adunco, camisa aos quadrados e ferramenta presa no cinto.
O Espírito Santo como uma pequena mulher asiática.
Conseguindo ultrapassar isto, o livro “A Cabana” é muito agradável e perspicaz. Uma apologia clara e bela do cristianismo.
Era bom que alguns cristãos o lessem. Mas ninguém tem tempo, já se sabe. Mas não sabem o que perdem.
É uma das grandes apostas para este Natal e está à venda em todo o lado (Hipers, livrarias, etc).
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10:33
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Joao Leal
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Impaciência vs Lealdade
Sala de espera do dentista.
A televisão mostra notícias, mas o som que enche a sala é de um rádio no balcão da recepcionista.
Acontece então um contraste sublime: enquanto passam as imagens dos adeptos do SCP a tentar "resolver" a situação do clube, a música do rádio canta "I'll stand by You", dos Pretenders.
Palavras de lealdade sobre imagens de impaciência.
Não aguentei e dei uma pequena e abafada gargalhada. A funcionária ouviu, levantou a cabeça, e perguntou: "Não me diga que é do Sporting?"
Se libertamos o riso no cinema, porque não rir também da última fita trazida pelo realizador acaso?
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0:03
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Miguel Leal
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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Resisitir
Ao Benfica não basta ser melhor. Tem que ser muito melhor. Há muitos anos que é assim, porque haveria de mudar neste? A novidade é que este ano podemos ser mesmo muito melhores. Então, resta-nos resistir. Tal como se escreve aqui, eu também acho que vamos ser campeões!
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14:00
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Pedro Leal
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Gandhi não faria melhor
Algo une todas estas imagens.





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6:15
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Miguel Leal
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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Saramago falou.
Observo, tomara eu que com espanto, a triste confirmação do que sempre conheci.
A reacção dos 'crentes' é uma espécie de vénia às reservas que o escritor apresenta em relação ao texto bíblico e sucedânea religião.
A violência relaxada das palavras, manifesta na intrigante e alarmante auto-disposição a sentirem-se 'insultadas', dá que pensar. E como dá que pensar, se uma pessoa quiser fazê-lo (embora nestes temas não haja grande tradição do exercicio em causa), uma pessoa pensa. Lembra-se dos islâmicos radicais, ou naqueles cultos sangrentos da India, e percebe a proximidade da malta da bomba à volta da cintura e a das pessoas que, entre uma garfada de bacalhau e um golo de tinto ao almoço, mostram a sua revolta.
O principio está todo lá e todas estas piedosas pessoas metem-me, confesso, algum medo. Penso que se as suas vidas não fossem tão absurdamente confortáveis e abundantes, alguém poderia facilmente pegar nesse triste agravo e desenvolvê-lo à boa e velha maneira, responsável por milhões de mortes ao longo dos dois mil anos: fazê-los pensar que Deus precisa da sua defesa para ser Feliz.
Claro que Saramago tem razão em relação ao Antigo Testamento: aquilo tem livros do mais macabro e violento que se pode imaginar. A maioria dos "crentes" tem sentido critico zero e sim, nesse aspecto são escravizados por ideias que lhes venderam sem os respectivos comprovativos. Vamos falar com algum deles do Inferno, da Trindade, de Satanás ou do ciúme de Deus, por exemplo, e eles não sabem, nunca pensaram, nunca quiseram saber. Estão-se a lixar. Importam o que teológos malabaristas dizem e siga para bingo. Como me disseram uma vez "Não tenho tempo para pensar nisso", tendo no entanto a falta de auto-estima suficiente para se sentirem insultados quando um ateu, que lê o antigo Testamento como ele aparece realmente escrito (sem interpretações manhosas de teologuês), diz que aquilo é horrível e que a humanidade passaria bem melhor sem.
Saramago tem razão. As religiões são perigosas para quem não as professa. Eu cá tenho cuidado. Tenha você também: há gente que se julga especial ao ponto de se sentir insultada quando alguém fala mal de Deus.
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13:42
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Joao Leal
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