quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

As livrarias em mudança

O mercado do livro em Portugal começa a mudar.
Em termos de livrarias, a Fnac anuncia que deixa de fazer os 10 %, ou o famoso "preço mínimo garantido", em todos os livros. Têm um Cartão Fnac a cujos detentores passam a garantir o "privilégio" do desconto. Nada que já não seja feito na cadeia Bertrand com o seu cartão Leitor Bertrand.
O que acontecerá agora? Será que os clientes da Fnac preferirão passar a usar uma das cinquenta e tal livrarias da Bertrand, com um atendimento muito mais personalizado, ou continuarão a seguir a lógica tão portuguesa do hipermercado tudo ao molho?
A popular Fnac, a tal que foi fundada com ideias socialistas em França há muitos anos, escolhe agora o seu público, isto é, os que têm dinheiro e o Cartão (de crédito) Fnac.
Sabe-se que as vendas têm vindo por aí a abaixo mas nunca esperei que os franceses virassem deste modo a casaca.
Está agora nas mãos da Bertrand responder com o que realmente é forte na lojas da Fnac: o livro importado e uma maior atenção aos fundos de catálogo das editoras nacionais.
Será que está à altura? Sou supeito, porque trabalhei na FNAC e agora na Bertrand, mas tenho a certeza que sim.

5 comentários:

Vicissitude(s) disse...

Boas.

Eu li essa notícia, mas é curioso que digas isso.

Eu francamente, quase de modo instintivo acorria à Fnac sempre que queria agarrar um livro.

Se há ou não mais catálogo ou menos catálogo não sei. Mesmo a Byblos nunca me cheirou e só lá entrei uma vez.

Há um facto os senhores da farda da Fnac realmente não servem para aquilo, ou quando apanhamos um em tempo conturbado é melhor procurarmos nós mesmos.

Agora em relação à organização, digo-te de caras que a Fnac tem mais organização e matéria por onde escolher.

Acho que a Fnac do Chiado está minimamente organizada e com 1 mês regular a visitar, já te safas bem nos livros.

Curioso é que na Bertrand (na do Chiado vá...) nunca vi o mínimo de organização. E não me digas que é "estratégia de marketing", porque via livros amontoados, e pela experiência o que mais havia eram "nora roberts". Ao pontapé.

Vá que não vá que a Fnac de entrada tem mais poder, e no interior bate a Bertrand.

ASS; ROGÉRIO MARTINS.

Tenho um novo blog, linka aí.

Fir disse...

Boa noite.
Não me leve a mal, mas acho que a sua análise fica muito pela rama e até tem alguns factos incorrectos.
Por exemplo, esse de que a Fnac escolhe quem tem dinheiro e cartão Fnac. Sinceramente, não vejo a relação. É que eu tenho cartão Fnac e pertenço à classe remediada.
Mas o erro maior é este: a sua análise parte do princípio que o leitor/comprador só pode escolher entre a Fnac e a Bertrand.
Felizmente, existem muito mais hipóteses de escolha.
A Bertrand é uma péssima livraria. Os livros em destaque são lixo (as editoras têm de pagar a montra e nem todas têm dinheiro ou pachorra para isso), falar sobre Literatura com algum funcionário é mentira, os próprios Recursos Humanos admitem que na hora de contratar preferem quem consiga carregar muitos livros de uma vez.
Na Fnac, já deixei de comprar livros há muito. Só vou lá pela música e pelos DVD.
Prefiro cada vez mais as pequenas livrarias, os quiosques, as feiras, comprar pela net.
As escolhas são tantas. Felizmente.

Joao Leal disse...
Esta mensagem foi removida pelo autor.
dolphin.s disse...

o cartão só é de crédito se o quiserem usar como tal. e quanto ao atendimento, só na altura do natal, com algum pessoal temporário para dar vazão às enchentes, é que apanho empregados com menor formação. ao contrário de qualquer bertrand, o atendimento, até hoje, tem sido exemplar, simpático, conhecedor e sem cara de frete. e sou assídua. muito assídua.
não sei porquê este asco todo à fnac - é como tudo: quem quer vai, quem não quer, não entra.
as encomendas funcionam, a oferta é grande e organizada - e não, não sou cliente de best-sellers.
a verdade é que, mesmo gostando das livrarias pequeninas, as fnac dão mto jeito - estão bem localizadas, quase sempre há um metro perto, têm café, têm 10% de desconto mais os outros benefícios. e para quem é uma compradora de livros compulsiva como eu, só posso gostar. e até vou lá mtas vezes só bisbilhotar, abrir dezenas de livros, beber um café e não trago nada. quase impensável noutros espaços.

as bertrand são piores que os hipermercados. muito piores. são lixo disfarçado de livrarias. no hipermercado o nome diz ao que se vai.

CrisR disse...

Eu nasci no Bairro Alto e como tal sempre tive o hábito de passear pelo Chiado. E posso confessar, a minha loja favorita era a Bertrand...passar de sala em sala...percorrer aqueles corredores até chegar a uma sala pequenina onde havia postais e outras pequenas coisas, faz parte do meu imaginário de criança e adolescente.
E só pode dizer que a Bertrand é desorganizada quem realmente nunca reparou que cada sala estava divida por temas, e que em cada sala havia um pequeno balcão onde alguem sempre nos ajudava a encontrar fosse o que fosse. Mas a verdade é que ao fim de tantos anos a passear pela Bertrand do Chiado já nem precisava de ajuda, sabia onde estava tudo!
Lá comprava os meus livros para a escola e mais tarde os livros para a minha colecção pessoal (que infelizmente perdi) ou para oferecer com carinho a quem me era querido.
Tenho um fascinio enorme pela Bertrand!!
E olhem na Fnac nunca me entendi...até hoje nunca consegui encontrar um livro á primeira. Não percebo se estão organizados pelo primeiro ou ultimo nome do autor ou pelo nome do livro, ou seja lá pelo que for!

 
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