sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Não é difícil entender as reservas do Pedro quanto a Obama.
Mas uma coisa é certa, não houve em todo o meu tempo de vida consciente uma tal promessa feita à humanidade como a que este homem representa.
Na linha de grandes homens e grandes líderes mitológicos, empolga-nos a sua aparente vontade de servir como líder em vez de liderar para se servir.

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Manhã de Inverno


quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Mais outro

Desculpem, mas não me habituo.
Os casos repetem-se com demasiada frequência. Ladrões apanhados em flagrante, violadores, homicidas, infanticidas, todos mandados em paz, gozando plena liberdade. Desta vez foi em Lousada.
Não é só o insulto ao sentimento de justiça dos cidadãos ou a aviltante ostentação de impunidade. É também o voltar a afligir os que já foram vítimas. Como diz o presidente da junta de freguesia local, "era bom que o homem não voltasse a viver em Lustosa, pelo menos enquanto que não houver uma sentença" porque "a família da mulher que foi assassinada vive aqui na freguesia, as crianças andam na escola e está tudo a tentar voltar ao normal".

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Distraídos pelo barulho das luzes

Durante a semana passada assistimos ao entusiasmo do povo dos EUA em relação ao seu novo presidente. Muitos falam em mudança, outros em esperança, mas o que realmente todos querem são tempos melhores.
Não vou debater a personalidade, as capacidades ou as motivações do novo presidente dos Estados Unidos, apenas partilhar o texto em que tropecei ontem e que pode descrever e ao mesmo tempo alertar-nos para os perigos destes momentos de euforia.

I Tessalonicenses 5
1 Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva;
2 Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite;
3 Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

Por muito bom que o homem possa aparentar ser, isso não vai salvar um único cidadão dos EUA no dia do julgamento final.

domingo, 25 de Janeiro de 2009

Uma dança da chuva

E agora apaga tudo.
Começa de novo como se a irmã Lua por cima do telhado do casarão em frente to estivesse a ditar.
Está tudo bem, não te preocupes. Confias em ti e segues o que se costuma chamar o instinto. Vais ver que não há nada de misterioso nesse caminho.
Pensa numa guitarra a dar uns rifts e depois uns violoncelos a lutar com uns baixos com distorção.
É tudo o que precisas, man!
É tudo o que precisas para dares o teu melhor, aquilo que sabes estar aí debaixo do capot a querer bombar, a gritar para sair cá para fora como uns bons velhos 400 cavalos de um Mustang dos anos 70. Tanta potência a largar fumo azul no asfalto enquanto carregas no pedal como se amanhã fosse tão estranho para ti como a morte ou coisa assim!
Corre. Deixa a transmissão fazer o seu trabalho e põe tudo o que tens nessa folha de papel.
Reclama o que ainda não sabes que existe.
Confere o que sabes verdade e depois o que desconfias ser mentira. Não estejas preocupado com armadilhas de outros percalços. Confia em ti como se o que fizesses fosse tudo o que és e tudo aquilo com que queres contar com força.
Se pudesses ver já o que vem aí! Oh, man, se pudesses ver essa luz que te vai alumiar o caminho daqui a nada!
Não repares nisso, no que queres dar ao mundo, no que queres pagar por toda a beleza que já te deram, por todas as sensações.
Não é nada disso.
São duas baquetas num prato a dar devagar, num sussurro em crescendo, guitarras a surgir em ondas de delay, a reverberar e, depois, a linha de baixo a aconchegar a aventura!
Tu sabes que o tempo está a chegar.
És um louco por palavras, por palavras a serem juntas à tua frente.
A tua voz tem eco nos teus dedos, que estão demasiado fracos e dormentes para fazer outra coisa qualquer que não seguir agarrado ao volante desse carro extraordinário. Ouve-me bem o som desse motor e embala-te a ti mesmo.
Toda a tua vida numa linha se fores capaz.
Trauteia a lenda enquanto retiras com autoridade o fecho do portão e te preparas para libertar essas danças, esse incrível manear de ancas de quem se sente vivo, de quem tem o que é preciso.
Não como durante as 8 horas por dia em que estás no escritório. Não como as 2 horas que passas nos transportes públicos. Não como quando estás à noite em frente à televisão.
Tu estás pronto para a outra coisa que a vida te está pronta para dar. Basta manteres-te firme nessa estação e a música vai chegar à hora certa. Vais ver o comboio a aproximar-se e a tua dança mágica irá fazê-lo parar só para ti e mais ninguém.
Dá um pontapé nesse. Com o cotovelo nesse outro da esquerda e um pontapé na rotula do cobarde que vem às escondidas. Como numa dança marcial, vais derrotando todos os que te aparecem e só precisas de meia oportunidade.
Tu és a coisa real à frente do mundo e ele vai-te reconhecer como um igual.
Só tens de ser, como essa guitarra, esse carro, essa dança, esse comboio. Deixa-te levar mais alto.
Está tudo bem.
Começa.

sábado, 24 de Janeiro de 2009

Obama é diferente de Bush

O aborto, por esse mundo fora, passa a ter mais fundos.

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

O determinado e a generosa

O meu filho mais novo queria um novo brinquedo, uns bonecos de uma coleção, que os colegas que têm levam para o infantário.
Mas como o Natal já passou e o aniversário é só em Setembro, ele lembrou-se que podia receber uma prenda por se andar a portar bem.
O problema é que ele não se porta bem.
A sua aliada, a irmã mais velha, generosamente, sugeriu que a compensação pelas boas notas dela fosse transferida para o irmão e ele recebesse o brinquedo. Maior altruismo é díficil. Mas a proposta não foi aceite.
Perante a relutância dos pais, o rapaz dispôs-se então a usar o dinheiro do seu próprio mealheiro.
Aí, a aliada assumiu um novo papel. Continuando a pensar no bem do irmão, ela lembrou que o dinheiro podia ser necessário para coisas mais importantes, e lembrou-se deste exemplo:
- E se tu ficares muito doente e tiveres que ir para o hospital e o pai e a mãe não tiverem dinheiro para pagar a conta tu depois não tens dinheiro para lhes emprestrar e não podes ficar no hospital e não te podes curar.
O rapaz, que é bastante rápido a pensar e conhece bem o coração da irmã, disparou:
- Mas aí tu emprestas do teu!
Ora aqui está um conceito de segurança social bem enraízado desde tenra idade: Se eu ficar doente, a comunidade ajuda, no entretanto vou gastando o meu dinheirinho.
E já agora, para que não me julguem um pai sovina e sem coração, o rapaz acabou por receber o que queria.

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Explicação de um nome

Esta é a placa toponímica da Rua da Escola, a verdadeira, a que dá o nome a este blog. Se, no local, seguirem a seta vão dar, entrando num pátio de casas pequenas, ao nº18. Se forem em sentido contrário, descem até à Segueteira e à Ribeira do Mourão, que antigamente tinha hortas ao longo das margens. É um eixo com boas memórias para os Leais que aqui escrevem.

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

E a quem poderá interessar isto? Talvez ao Rodrigo. Mas o Rodrigo não tem Internet. Um dia destes digo-lhe que escrevi este post, mesmo sabendo que vou ser gozado durante não sei quanto tempo. E ele depois diz "Para o ano passas a gostar também do Herberto Helder" a alfinetar-me o espírito. E, por muito que me custe a ideia de que algum dia poder vir a admirar a obra desse trambolho, só tenho é de, perante as evidências, saber que nada sei e que talvez (isto custa-me só de escrever) um dia, quem sabe.
Um dia tenho de falar do Rodrigo, do meu amigo Rodrigo. Chamo-lhe Barão Vermelho.
O que quero dizer neste post é que voltei ao António Lobo Antunes e estou deslumbrado. O homem tem humor, faz-me rir e é um grande cronista da segunda metade do século XX português.
Passei anos a evitar e a chatear-me com o velhinho. Um bocado como com a Igreja, é engraçado.
E agora, sentindo que já podia, que era crescido o suficiente para gostar, lá botei a minha vista no Manual dos Inquisidores, numa edição de capa dura da Planeta Agostini da colecção "Os Grandes Escritores Portugueses Actuais", ano de 2000.
Estou a deixar de ser teimoso. Não é o inverso do que se passa com as pessoas habituais?
Pronto, era isto que queria dizer hoje. Podem agora clicar nos links aí ao lado e navegar para outras paragens que eu deixo.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Na despedida de George W. Bush

No último dia de George W. Bush na Presidência dos Estados Unidos da América, relembro a sua vitória eleitoral de 2004 contra John Kerry. Para além do candidato do partido adversário, Bush tinha contra si, numa provavelmente inédita unanimidade, todos os moldam e dominam a chamada “opinião pública”: os jornais e as televisões de referência; Hollywood, e os actores e realizadores “politicamente esclarecidas”, e os filmes e documentários denegridores; as estrelas pop da MTV, troçando sem piedade do paladino da moral conservadora; os intelectuais premiados e “empenhados num mundo melhor”. Todos, com raríssimas excepções, contra Bush. E Bush ganhou.
Lembro-me bem dessa madrugada. Da surpresa, e posterior amuo, dos jornalistas e comentadores portugueses, e da minha satisfação por saber que, mesmo que seja apenas do outro lado do Atlântico, é possível decidir contra os fazedores de opinião estabelecidos.

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

E mais uma semana toda, completa, cumprida até ao tutano.
E eu sem saber como passa tudo tão rápido.
A primeira regra da vida é que ela não é fácil.
A confusão nasce de não conseguir saber distinguir entre causa e efeito.
É assim que me arrasto dia após dia.
Um nevoeiro.
Uma angústia de não saber.
E a pergunta, sempre, surgindo como um parasita que se manifesta muito mais do que devia para a minha sanidade mental.
E mais nada importa.
A visão estreita-se no ponto da obsessão.
Do vicio.

"A culpa do Benfica não jogar nada é do Quique ou dos jogadores?"

Ahhh… hum… pois…

No corrupio matinal – “vistam-se”, “já lavaste os dentes?”, “alguém sabe dos sapatos da pequena?”, “temos que sair, temos que sair!”, a minha filha do meio, seis anos, convoca-me para a teologia:
- Pai, os anjos têm ossos?

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Ainda o melhor futebolista mundial do ano

O Cristiano Ronaldo recebeu o prémio de melhor jogador mundial do ano de 2008, e com todo o mérito. A alegria dele justifica-se de modo óbvio, assim como daqueles que gostam de o ver jogar ou que gostam dele.

Mas aproveito este post para lembrar que este prémios são individuais, e num desporto colectivo como o futebol a história valoriza os títulos individuais quando conjugados com os títulos colectivos. São muitos os jogadores ao longo da história que poderiam ser "melhores do ano" que a memória futebolística agora não recorda. E por isso este prémio está longe de simbolizar um lugar na história do futebol mundial.

Exemplos existem de jogadores que ficarão na memória colectiva sem terem recebido este prémio. Alessandro Del Piero nunca o recebeu e no entanto estará sempre na memória colectiva. Ibrahimovic provavelmente nuncar irá receber este prémio, e apesar do grande jogador que é, será recordado no futuro como o é Bergkamp.

Por toda esta complexa forma de hierarquização dos melhores prevejo que no futuro Cristiano Ronaldo e Figo venham a ser lembrados como o é agora o George Weah. Grandes jogadores nos seus tempos, marcando uma década, mas que não se tornarão intemporais.

Por fim deixo um video de um Grande Jogador, que juntou títulos individuais e colectivos e não será considerado um dos melhores de sempre. É esta a fasquia Cristiano Ronaldo.



p.s. - Os adeptos do Paulista concerteza têm muito orgulho em ter formado este jogador.

quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Para demonstrar que sou uma pessoa positiva - auto-inquérito

Continuidade de Quique - sim
Israel tem razão - sim
A política está muito má - sim
Está muito frio - sim
A direita é melhor do que a esquerda - sim
O Policarpo tem razão - sim
Faltou ao Policarpo acrescentar "cristãos" aos "muçulmanos" - sim
A geração dos nossos pais está a lixar a próxima geração com as reformas altíssimas que recebem - sim
A minha geração vai lixar ainda mais a geração dos nossos filhos - sim
O Homem não pode fazer nada contra as alterações climáticas - sim
O Sócrates é um mau primeiro ministro - sim
Os jornalistas de um modo geral são parvos - sim
O Viegas é o meu melhor amigoe já me salvou a vida - sim
Tenho saudades de ouvir os dire straits no meu quarto quando tinha 17 anos com a janela aberta no escuro e assim mesmo sem vírgulas - sim
O Hamilton ao pé do Senna é um menino - sim
Os Gato Fedorento são maus comediantes - sim
O RAP gostava era de ter nascido no Cacém - sim
A minha mãe nunca mais me fez gemadas - sim
O mundo está muito melhor do que na minha infância - sim
As pessoas levam-se demasiado a sério - sim
PES 2008 - sim
Restaurante Sopa da Avó em Sintra - sim
Carla de Elsinore - sim
Os meus méritos herdei-os, uns, dos meus pais e copiei outros aos meus irmãos - sim
A Manuela Moura Guedes parece um bicho - sim
Messi melhor que Cristiano Ronaldo - sim
Quero almoçar com o meu tio um dia destes - sim
Káká melhor Cristiano Ronaldo - sim
Portugal é aborrecido - sim
Podia ser amigo do Pedro Mexia - sim
Sinto falta da minha avó - sim
Estou a ler o Manual dos Inquisidores do António Lobo Antunes - sim
O meu carro está com problemas e tem de ir ao mecânico - sim
Embirro com o Bibliotecário de Babel - sim
Embirro com o José Mário Silva - sim
Embirro com os posts do José Mário Silva - sim
Não tenho razão nenhuma para embirrar com o Bibliotecário de Babel e com o José Mário Silva - sim
Bola melhor que Record - sim
É altura de terminar o post - sim

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

CR quê?

É-me difícil perceber.
O cidadão Cristiano Ronaldo ganhou um prémio relacionado com desporto e parece que é Portugal que o ganhou.
Estamos 'orgulhosos' de ser portugueses porque um puto de 23 anos joga bem à bola.
À bola!
Futebol.
Um desporto. Um entertenimento televisivo.
Isto é extraordinário.
Isto é mesmo extraordinário.
Isto é mega-hiper-extraordinário ao quadrado vezes 7.
Anda tudo obcecado com o Euromilhões e com a grandeza, com ser o melhor, com o prémio.
Hoje só faria sentido estar orgulhoso se fosse do Sportém.

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Melhor do mundo

Ter o melhor entre dezenas (centenas?) de milhões de jogadores, ter o melhor no desporto mais popular do mundo, é um feito que este cantinho da Europa não pode deixar de saborear.
Parabéns Ronaldo!

sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Murakami

Até os ler, tinha-os como livros para público feminino (as mulheres adoram-no)
Agora, que li já uns quantos e gostei, os romances de Murakami passaram a ser livros de um bom escritor, sendo que as mulheres só devem gostar dele pelo exotismo de ser japonês e pelas capas que ficam bem em qualquer ambiente IKEA.
De facto, não há como fugir: sou um machista literário.

quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Às vezes não consigo falar com Deus.A maioria das vez consigo, mas outras não. “Às vezes” e “consigo” repetidos com “não” às vezes no meio, embora não seja a norma.”Às vezes” porque não sou linear e “consigo” porque é aleatório depender de mim ou não.
É um mistério. Mas vá lá que não é um mistério confuso.
Eu pequeno, percebe? Eu pequeno e a querer pedir a Deus que fizesse um milagre à antiga. Não saía a frase pretendida por mais que me concentrasse: “Senhor Jesus, cura a doença dos meus olhos para que eu possa ver bem e não precise de usar óculos”. Ali, emperrado e surpreendido por estar a perder a hipótese de jogar à bola sem os aros de metal, sabendo-me perdido como sucessor do Humberto Coelho como capitão do Benfica. De algum modo, sabia que não fazia sentido pedir.
“Há coisas que não faz sentido dizer a Deus?”
Foi um choque.
Se eu tivesse conseguido orar, quem sabe?

Um pouco como hoje de manhã. De talão na mão, esperando ser chamado numa repartição pública, passou-me pela cabeça pedir a Deus uma coisa. Como dessa vez, o pensamento não passou a prece. “Metes-te nas coisas e depois vais pedir a Deus que te dê uma mãozinha”. Talvez tenha pensado algo parecido. Mas dava-me jeito, a sério que dava que orasse e as palavras fossem atendidas.
Não é um sistema. Um tipo não compra um cartão pré-pago com tempo de oração. A oração sincera sai-nos do corpo e é difícil de fazer. Tem a ver com reconhecer a grandeza, a sua autonomia e atributos que tais. De facto, Deus tem o condão de nos paralisar quando se tem respeitinho.
Qual a conclusão deste post? É esta, para que o leitor não se sinta frustrado: “Honestidade e Oração podem originar poucas palavras perante Deus”.

Pergunta vinda do frio

Os cientistas que nos garantiam, tal como 1+1=2, o Aquecimento Global são piores dos que nos garantem a Teoria da Evolução?

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

São 7 horas e saio da Gare do Rossio.
A escuridão e as ruas desertas. Ecos de passos nas calçadas. Frio a envolver uma beleza imensa à minha volta.
Não gosto de Lisboa. Nunca gostarei. Mas hoje ela é bela.
Acabei de ler "O Céu é dos violentos", de Flannery O'Connor na viagem de comboio recém terminada para mais um dia de trabalho.
Tudo junto é um turbilhão de sensações.
Vou feliz pela arte a que estive exposto.
Sinto-me longe, cada vez mais longe do que é o mundo. Cresci e não vejo os meus amigos. Já não sei o que pensam. Já não conversamos nem aprendemos o mundo juntos.
Mas não há aflição nenhuma. Não há melancolia. Só a abençoada ausência de palavras.
Subo a calçada do Carmo e oro, agradecido pelo que não sei nomear e que me está a acontecer. Podia-me habituar a isto com alguma facilidade.

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Uma frase para 2008

Piu, piu, piu… a ministra já caiu!”, berrava ao megafone, na multidão, avenida abaixo, a senhora professora de meia-idade.
O mundo está cada vez mais estranho, e o que há vinte anos daria um bom sketch dos Monty Python, encaixa-se hoje, sem atritos, na realidade.

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

O mais sensacional auto-facto de 2008 foi ter percebido, espero que em definitivo porque já chateia, que não tenho o que é preciso para escrever romances.
É necessário ser-se muito mais mundano e muito menos misantropo do que eu.
Voltaram as histórias violentas com um suspirar de alivio.
Pequenos contos infames, sangrentos e incómodos: é isso que tenho andado a fazer.
Entretanto, bateram-me forte as saudades dos posts da Transmissão Especial.
Fui à procura deles nos meus papéis e não os encontrei.
Se alguém os guardou, que mos envie, se faz favor.
Obrigado.

 
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