A história de Kaing Guek Eav, alto quadro da máquina de morte dos Khmers Vermelhos, é exemplar, pelo seu radicalismo, do “novo nascimento”.
Graça.
Como pode alguém que matou e torturou milhares de homens, mulheres e crianças ser perdoado com um simples passo de fé, apenas aceitando a oferta divina? Pode ser perdoado porque Cristo morreu precisamente por esses pecados. O justo castigo merecido por Kaing foi suportado, na totalidade, por Jesus Cristo.
“Nova vida”.
O altivo revolucionário tão seguro de si (os fins justificavam os meios) baixou ao arrependimento e aos pedidos públicos de perdão. Não consta que tenha passado por campos de reeducação ou frequentado cursos de reciclagem doutrinária. O Espírito Santo transformou Kaing. Essa presença foi o reset, o recomeço (mente, princípios e atitudes) noutro caminho, no caminho de Deus.
(Outro caso similar.)
sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
O que é um ”nascido de novo”?
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1:35
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Pedro Leal
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quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
36º aniversário Parte 4/7
Não basta nem supre
a vontade
A pequena pedra salta
desce, bate e corre
em direcção ao rio
lá em baixo na falésia
Cumpre a sua forma
irregular de mergulho
Caí a pedra na água
peso, volume e desce
de fundo com pedras
está o mundo cheio
Um círculo que se abre
que irá para o mar
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13:25
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Joao Leal
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quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
36º aniversário Parte 3/7
(foto gentilmente cedida pelo Jorge Viegas. Momento de pausa no ensaio da primeira banda "Ecos Vadios")
Há uns meses atrás fui surpreendido por um música dos Dire Straits. Fazia parte da banda sonora do filme Bush, do Oliver Stone.
Porquê a surpresa? É como os cheiros. Uma pessoa vai na rua e passa alguém com o perfume da nossa professora da primária. Há ali uma memória forte que volta, ligada também ao lado afectivo.
Com esta música aconteceu o mesmo. Ao ouvi-la, estava de novo no meu quarto de adolescente, cm ela a saír do pequeno radio-leitor de cassetes vermelho na mesa de cabeceira. A luz fechada, a janela aberta e eu aprisionado de um sonhar melancólico e trágico, movido pela beleza da música e pelas inquietações de quem não sabe nada de nada do mundo.
Daí que o sonho tenha transbordado um pouco e tenha aprendido a tocar guitarra. Auto didacta com ajuda do Pedro Leal, atingi o patamar de querer ter bandas. Quando fui comprar a minha primeira guitarra eléctrica com o Miguel Leal ao Cascaishopping, o mundo abriu-se para muitas coisas novas que vieram a acontecer e, que bem vistas as coisas, foram os primeiros locais que habitei com o meu nome.
A música na adolescência foi sentida como nunca mais. E pela figura da fotografia, ainda bem.
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14:47
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Joao Leal
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terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
Simplicidade
Contaram-me que Eça de Queirós, depois de uma carta de dez páginas para um amigo em Portugal (Eça estava em França), concluiu com a seguinte frase: “Peço desculpa por mandar as dez páginas, mas tive pouco tempo para ser sintético.”
Bom na ironia. E na constatação: a simplicidade dá trabalho.
em
23:13
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Pedro Leal
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segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
36º aniversário Parte 2/7
Não há assim um resumo que se possa fazer de tudo o que foi, até agora, ser o filho do meio.
Posso dizer só que as referências de identidade eram os dois mais velhos, que só têm um ano de diferença entre eles e cinco e seis para mim. O Zé é nove anos mais novo do que eu e foi a referência afectiva.
E acerca deste assunto é tudo.
Mais importante é falar das grandes diferenças entre nós.
Essas têm a ver com uma regra primordial inscrita em cada um.
Pela minha parte, a distinção tem a ver com a lealdade para com qualquer ideia, que eu não tenho.
(o Pedro a murmurar, abanando a cabeça “Pós-Modernismo”)
Assumo uma (r)evolução constante.
O que hoje acho verdade, posso muito bem amanhã achar mentira desde que o cérebro vá para aí.
(o Miguel a dizer para o monitor luminoso “Se calhar é por causa disso que te meteste em tantas alhadas”)
Mudar de barricada já aconteceu algumas vezes.
(o Zé a lembrar-se horrorizado de quando o desafiei a tornarmo-nos sócios do Sporting e comprarmos o bilhete de época para o Alvalade XXI )
Se eu não fosse tão curioso como sou pelas regras e leis do mundo, seria mais conservador como os meus três irmãos. Eles escolhem uma vez o que mais lhes interessa e ficam por aí. Constroem a sua barraca de um dos lados e por ali ficam, satisfeitos com isso.
“Ok. Assunto encerrado.”
Eu acho esta capacidade de decidir fantástica. Claro que o acho do mesmo modo que considero um vilão da Marvel, por quem se tem admiração por ter, digamos, capacidade de congelar com o sopro, embora custe que o faça em prol do lado errado da história.
Em espelho, deve acontecer o mesmo com eles em relação a mim.
Não obstante a fraca comparação, os resultados são os mais interessantes. E estes podem-se ver em almoços familiares. Quem diz almoços, diz jantares.
O João de um lado na barricada e os outros do outro. Como já houve muitas refeições deste tipo, também já ocorreram muitas discussões, felizmente para o coração maternal cada vez menos acesas, em que nos envolvemos. Nada de pessoal. 90% politica, religião ou ética.
Eu acho graça. Como sou curioso, gostava mesmo de saber como será estar do outro lado. Mas como poderia acontecer sem me sentir um bocado parvo?
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13:40
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Joao Leal
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Aos 9 anos a História só tem 2 tons
Estava eu a ajudar a minha filha a estudar História.
Ao tentar explicar quem tinha sido Salazar, eu disse que como ele era bom em finanças, até era professor em Coimbra, tinha sido escolhido para ser o chefe do governo.
Aqui a pequena interrompeu-me perplexa e confusa: "Mas um professor é alguém bom, como é que ele depois ficou mau??!"
Não sei se é por respeito aos seus professores, ou por ingenuidade infantil, mas pelos vistos para ela quem ensina tem uma nobre missão, qual cavaleiro do conhecimento, por isso só pode ser bom.
Se ao menos os pais (e os ministros, já agora) vissem os professores assim também ...
em
7:33
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Miguel Leal
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domingo, 22 de Fevereiro de 2009
36º aniversário Parte 1/7
“O interesse da vida está sobrestimado”.
É uma frase que costumo usar. Presumo que pareça mal. Coisa de mal agradecido ou de enjoado.
Quando era miúdo, a expectativa era grande pela vida adulta.
Fazer o que me apetecesse sem ter de dar explicações a (quase) ninguém. Ter dinheiro no bolso para os bolos que quisesse. Ter um quarto só para mim. Entrar e sair de casa a que horas fosse preciso.
Como qualquer criança achava-me especial e olhava para as circunstâncias com o olho acusador de serem elas a não me deixarem exprimir, que é como quem diz, viver aventuras Enyd Blyton style com os meus amigos, ser o melhor jogador de futebol da rua, andar de bicicleta mais rápido que os outros ou desenhar tão bem como o Jean Graton, o mágico responsável pelas horas a ler e reler os livros do Michel Vaillant.
Disfarçava a cobardia natural inibidora de aventuras com a educação rígida que me davam, o receio de por o pé e a falta de velocidade no futebol com as vicissitudes de ser mais pequeno que os outros da minha idade, a incapacidade bloqueante da performance de tirar a mão do travão da bicicleta nas corridas que fazíamos rua acima, rua abaixo, com a minha falta de visão do olho esquerdo e a inépcia da liberdade do traço para desenhar banda desenhada com a falta de material adequado.
Em resumo, fui o mais lusitano dos miúdos da minha geração.
E, como bom português, havia sempre uma esperança de que um dia as condições seriam as óptimas para a glorificação perante o mundo das minhas espectaculares capacidades. De certeza que nesse dia, a vida poderia ser vivida na sua totalidade.
E, assim, fiquei à espera, atento como pude ao momento certo, não me fosse ele escapar.
Como seria de esperar, a vida adulta mostrou-me que as crianças, apesar de precisarem de ser assim para se desenvolver, são um bocado parvas.
Esse momento nunca chegou.
Os dias arrastam-se iguais uns aos outros. O iô-iô casa- emprego, impulsionado acima abaixo por um cansaço e pelo stress. A total falta de interesse pelo que quer que seja. Amigos afastados sem se perceber como. As tarefas domésticas como as micro-etapas diárias. A falta de criatividade, de brilho. E daí esse queixume: “O interesse da vida está sobrestimado”.
Na verdade, tudo isto é mentira. Poderia ser uma forma de olhar a vida que tenho. Aposto que muita gente a poderia corroborar para si. Mas comigo não. Ainda sou essa criança, só que maravilhada pela magia de ter um corpo de adulto e dinheiro no bolso. Espantada de ter chegado aqui viva e de saúde.
Trabalho para os sonhos apesar de. Exerço o direito de auto-inventar dias diferentes. Proponho metas adequadas que sei conseguir atingir desde que me esforce. Sinceramente, a vida que me calhou é bem melhor do que esperava. Tenho tudo, menos muito dinheiro, mas não lhe sinto falta. Adequei os meus objectivos ao que está ao meu alcance.
Tudo isto é melhor, muito melhor, apesar do cansaço que não me larga, do que alguma vez esperei.
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10:39
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Joao Leal
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sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
O que é que faço para viver? Vendo livros. Corrijo: os clientes encomendam na Internet e eu trato de lhes enviar os livros.
Envio livros de todos os géneros. Às vezes fico a imaginar que tipo de pessoa é que encomenda este ou aquele livro.
Passam-me dezenas de títulos pelas mãos. Grandes, pequenos, bons, mãos, raros, manhosos.
Vejo, portanto, muitos livros por dia. Muitos deles despertam-me a atenção. Penso: Interessante, gostava de o ler.
Às vezes fico agradecido a um cliente que encomenda um livro que eu não conheço e que depois leio.
Claro que não envio nenhum cartão ou coisa parecida. " Caro José Silva, agradeço-lhe ter-me chamado a atenção para "A Caixa Negra de Darwin".
Pergunto-me que fascínio é este que os livros têm. Não sou coleccionador. Gosto só de usar livros.
Quando comecei nas livrarias, há 12 anos atrás, foi brutal. Ali estavam os livros todos que eu desconhecia. Como gosto de escrever histórias, tornei-me um cromo, que me armava em especialista, a ditar aos outros o que era bom ou não. Pobre de mim, tão palerma. Aos poucos, a atitude foi mudando. Por um lado, a normalização de relação com o livro aquietando-o dentro de mim, e, por outro, perceber muito ou pouco é irrelevante para o meu bem estar e dos outros.
Incomoda-me que algumas pessoas, alguns amigos, me achem um especialista ou um gajo com cultura livreira. Deixei de achar graça quando um amigo me apresentou "O João é escritor" e quando dois colegas me chamavam "Mestre". Parece falsa modéstia? Não é. É uma questão de um tipo se andar a armar em bom e depois ter a paga.
E pronto, era só isto. Sou um Coordenador de Logística da Loja Online. O Wolverine, o meu colega, está-me a desafiar para irmos almoçar. Eu vou. Ele escreve muito melhor e sabe muito mais de livros do que eu.
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15:47
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Joao Leal
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A Valsa de Bashir

Grande filme.
O protagonista é um israelita que combateu na guerra do Líbano em 1980. Estranhando não se conseguir lembrar de nada acerca desses dias, encontra-se com ex-colegas soldados e com um jornalista. Descobre gradualmente as memórias desses dias, desembocando nuns últimos dez minutos que são do melhor que já vi na grande tela. Meio documentário (apesar de ser uma animação), meio filme de acção, A Valsa de Bashir não pode deixar ninguém indiferente. Uma reflexão sobre a guerra mantida magistralmente nas entrelinhas, como deve de ser.
Cena: de sua casa, as familias libanesas assistem ao fogo cerrado dos snipers sobre a coluna de soldados israelitas encurralados. É então que Bashir pega numa grande metrelhadora e vai para o meio da estrada disparar contra o alto dos prédios onde estão os atiradores. A arma, ao disparar, fá-lo como que dançar. A Valsa de Bashir.
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12:53
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Joao Leal
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História e "modelo económico"
Quando há uma semanas ouvi e vi o Francisco Louçã a discursar na reunião nacional do Bloco de Esquerdo, o meu estado ficou num misto de surpresa e alguma preocupação. Surpresa porque pensava que já ninguém iria pegar num discurso com 150 anos e que milhões já reclamaram no passado. Preocupação porque normalmente este discurso costuma ser fruto de algum desespero perante a situação económica.
Quem ouve fica com a impressão de que as ideias são novas e de uma inovação social extraordinária, nunca antes tentada por dezenas e dezenas de Estados e Governos. Parece que o Manifesto Comunista de 1848 foi redigido ontem.
Por causa deste tema lembrei-me de um documentário que passou o ano passado no Canal Historia, intitulado "Paraíso na Terra: ascensão e queda do Socialismo". Mesmo descontando o potencial ou hipotético inviesamento que alguns poderão reclamar, é de grande valor a percepção da pluralidade de vias e aplicações práticas do Socialismo ao longo do tempo. Felizmente consegui encontrar um user do youtube que colocou os episódios do documentário para o pessoal ver.
A 1ªparte do 1ºepisódio.
Para ver o resto é seguir por aqui.
em
8:44
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José Leal
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terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Continuando na crise
Repare-se no que se passa no sector automóvel.
O problema da quebra de vendas, que nalgumas marcas chega a 40 %, não se sente em termos práticos. Ou seja, nem as populações são afectadas nas deslocações do dia-a-dia, nem é perturbado o normal fluxo das trocas comerciais. Isto significa que, na prática, esses 30 ou 40 % de carros novos não são necessários, são supérfluos.
Mas, se olharmos a situação em termos económicos, o caso muda de figura. A quebra nas vendas significa desemprego em massa, menor criação de riqueza, menor poder de compra. Numa palavra: crise.
Como o Miguel mostra no post anterior, a perspectiva cristã é, tradicionalmente, anti-supérflua. A Bíblia, em alternativa, propõe sobriedade, temperança, na forma como consumimos. Mas será que perante o modelo económico que temos, contraditório entre necessidades reais das pessoas e o consumo, a perspectiva cristã deve manter-se? Ou seja, o cristão é melhor cidadão se consumir apenas o que necessita ou se consumir o que a economia precisa?
(Repito-me, mas o momento presta-se a isso.)
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23:35
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Pedro Leal
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sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Contos Infantis e Capitalismo
Ouvir comentadores e "experts" sugerir que é preciso seguir os mesmos passos dos EUA e RU na luta contra a crise financeira, como se fosse o único caminho possivel, faz-me recordar a história dos 3 porquinhos.
Só que ao contrário da fábula pedagógica, aqui, os que construiram as casas de palha e de madeira continuam a achar-se os maiores engenheiros do mundo, e reclamam por o mano mais velho ter uma casa mais forte que não respeita "as leis do mercado" e é "protecionista".
A meu ver a palha e a madeira são o crédito e o consumo desenfreado, e os tijolos a poupança.
em
11:49
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Miguel Leal
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Lá se foi mais uma costela
Ontem fui expoliado de um tesouro adolescente.
O dia não me tinha corrido muito bem até aí, tinha feito menos de metade do que me tinha proposto realizar. Na tarefa que dá ínicio ao fim do dia, ir buscar os filhos à escola, mais uma contrariedade: obras na estrada provocam 10 minutos de fila ...
Decidi ouvir um álbum dos The Smiths, que tenho no carro para estes dias de pouco ânimo e serve como calmante também.
Depois de recolhidas as crianças, e cintos de segurança colocados, ligado o carro, o rádio recomeça a sua tarefa de relembrar melodias amigas de há 20 anos.
Quando esperava a todo o momento que surgisse um pedido dos distintos passageiros do tipo: "Põe o CD do Panda (o canal de TV)", o que ouvi, com grande surpresa, foi o mais novo afirmar:
- Isto é uma guitarra eléctrica. (aos 5 anos até o mais óbvio é uma grande descoberta que se quer partilhar com o mundo)
- Pôe mais alto aqui atrás. Acrescentou a irmã mais velha.
Eles estavam a apreciar Pop inglês dos anos 80!!! (mas do bom!)
Depois do Astérix na semana passada, mais uma passagem de testemunho cultural entre gerações.
E nós quarentões podemos começar a dedicar-nos ao futebol e ao turismo.
em
10:19
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Miguel Leal
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sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
A minha mãe manda nisto tudo
Manhã de geada, a caminho do infantário, com a minha mais nova (quase três anos) ao colo.
- Oh pai, a minha mão está gêla…
- O quê?
- A minha mão está gêla!
- Ah… não é gêla que se diz, é: gelada.
- Pai, a minha mão está gelada.
Pego-lhe na mão e escondo-a no meu casaco. Andamos mais uns metros.
- Pai, isto não pode ser. Se a minha mão voltar a ficar gelada vou dizer à mãe para ralhar com o frio.
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12:54
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Pedro Leal
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quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mau fã
Um Tenente Blueberry e um Lucky Luke da melhor fase ; um Quino de capa dura; um Spaghetti, para relembrar os tempos do Tintin. Um euro cada um. A papelaria vai para remodelação e os livros que estavam em depósito foram amontoados numa mesa grande. Foi só escolher.
Saí contente da papelaria. Mas a consciência não demorou muito a pesar. Um euro?! Mas que espécie de admirador sou eu? Dar em troca daquele talento todo o mesmo que se dá a um arrumador?!
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20:29
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Pedro Leal
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quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Casamento homossexual
Acerca desta noticia
Antes de mais, a salvaguarda. Nâo meto nesta análise questões de moral religiosa. Penso que uma questão que abarca toda a gente deverá ser analisada à luz de uma sociedade laica.
Espanta-me a opinião do Canas, do PS, que diz que a Igreja Católica nada tem que meter o nariz onde não é chamada. A IC é livre de dizer e recomendar o que quiser aos seus fiéis. Se não o pudesse fazer aí estaríamos em apuros...
A opinião que eu escuto das pessoas minhas amigas em relação ao casamento homossexual vai do "nem pensar" ao "também têm direito".
Das mais conservadoras às mais liberais. Da direita à esquerda. De jovens a idosos.
Se a argumentação das do "não" se percebe, parece-me que por razões de uma moral tradicional cristã, a do "sim" tem sempre um "mas", o que é estranho.
Essa condição é a não possibilidade de adopção por parte do casal homossexual. Quando pergunto "porquê", elas, de um modo geral, respondem entre que "a adopção é um direito das crianças e não dos adultos" e que "um casal gay não tem as condições sociais para educar uma criança". Fala-se de descriminação na escola, por exemplo, que traria uma marca, uma desvantagem, um sofrimento inútil que nenhuma criança deverá sofrer. Tento sempre esmiuçar estar argumentação e, invariavelmente, acaba-se por se dizer o que realmente se pensa "com casais femininos, talvez, depende das condições, mas com casais masculinos, não".
Noto, portanto, que na cabeça de todos existe isto: homossexuais femininos e masculinos socialmente são encarados de modos diferentes.
Aqui está a questão mais importante. Assume-se a possibilidade constitucional de direito ao casamento mas não lhes são permitidas as famílias.
Sejamos claros: ou é, ou não é. Se o casamento homossexual for permitido, que o seja de modo a que ninguém seja discriminado. Seja o objecto desta discriminação as mulheres, os homens ou as crianças em condições de ser adoptadas.
Parece-me que é aqui que a bola bate na barra: não faz sentido chamar "casamento" a algo que é diferente do que hoje se entende por casamento e que enfermará sempre de discriminação.
Na minha opinião as crianças sem pai nem mãe têm o direito de ser adoptadas por quem lhes dê amor e uma base sustentada para o seu desenvolvimento pessoal. Agora, se um casal feminino tem essa possibilidade, ao casal masculino parece à partida interdito.
Há algo errado nisto. O assunto coxeia demais à partida.
em
9:46
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Joao Leal
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terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Os ricos que paguem a crise
"Os ricos que paguem a crise" era slogan da extrema-esquerda quando eu era miúdo. Por isso, se um governo de Portugal o vai desenterrar em 2009, ainda por cima no meio de uma crise gravíssima para qual confessa não ter GPS, tenho todos os motivos para ficar preocupado. Claro que o passo é curto - abater as deduções nos impostos dos mais ricos. Claro que a postura de Robin dos Bosques pode valer alguns votos - apesar de aqui, ninguém tenha dúvidas, o que se tira aos ricos não ser para dar aos pobres. Mas por mais modesto que seja o passo, a verdade é que vai na direcção errada. E indo nessa direcção as consequências da crise serão grandemente ampliadas. Esta é a pior altura para tirar o socialismo da gaveta.
em
23:46
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Pedro Leal
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segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Constipados?
Ainda não percebi se estamos perante um acto involuntário ou um grande momento de auto-ironia: chamar Coldplay a uma banda com um vocalista de voz tão nasalada.
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23:43
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Pedro Leal
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sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Tenho dois amigos que escrevem.
Miseravelmente, num agrada-me as ideias e a forma não. Com o outro passa-se o contrário.
Por isso, se sou tentado a ler as coisas do primeiro, aquilo custa-me um bocado: a adjectivação e a recambolesca tentativa de pirueta (o seu ego é carente) deixam-me ko ao primeiro round, perdão, parágrafo.
Com o segundo: o sexo não natural, o narcisismo e a falta de qualquer esperança parecem comida estragada apesar da bela apresentação.
Sinto-me frustrado porque o primeiro começa a ser conhecido e eu tenho pena que o seja com essa embalagem tão fraca. Aliviado, porque o segundo nunca conseguiu publicar o que escreveu e o mundo é um lugar menos sombrio por causa disso.
Estes dois exemplos são paradigmáticos das minhas dúvidas quanto ao meu hobby de escrever histórias. É difícil encontrar o equilíbrio quando se quer fazer algo com uma aprovação tácita dos gregos e troianos de que eu gosto. Com os outros gregos e troianos, i cant care less.
Coisas como
-Não entristecer familiares.
-Não querer ter no estilo um motivo para que os outros me aplaudam por causa da minha ginástica mental (já não estou no secundário)
-Escrever algo que traga um pouco mais de luz ao mundo
-Abarcar o máximo número de pessoas como potenciais leitores
e outras coisas mais, claro, mas que das quais tenho pudor em falar.
O dificil da tarefa é juntar tudo como balizas num texto de 300 páginas.
Invejo um pouco os meus dois amigos: sucumbem aos seus egos e agendas pessoais alegremente e sem olhar para trás.
O segundo amigo incentiva-me: deixa-te de coisas e escreve aquilo em que realmente és bom.
Como é que lhe conseguirei explicar (já tentei, acreditem) que faço parte daqueles miseráveis a quem foi dado o destino de que aquilo que sabem fazer bem não cabe dentro do que acham que Deus deseja para o mundo? Claro que poderá ser um bela desculpa para um tipo não fazer nada. Mas não acho que seja o caso.
Mas há alguém que perceba isto? Eu percebi a custo e penei durante dez anos por sitios dificeis para perceber. Aplicar o meu novo nascimento cristão a tudo. Analisai tudo, retende o bem e tal.
Bom, continuo a trabalhar naquilo que não é o que para tenho mais jeito, aplicando as balizas que considero que Deus acha justas.
É um escrutínio constante mas não há outro caminho. É assim que me sinto bem.
em
11:08
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Joao Leal
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sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Teoria
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19:55
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Pedro Leal
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Etiquetas: Criacionismo
quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Aquilo que não ouvimos por cá
Podem acompanhar a descrição da história apresentada no video aqui.
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11:57
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José Leal
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terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
O representante da Amnistia
É normal que o representante da Amnistia Internacional se indigne com as execuções de criminosos no Japão. A Amnistia Internacional tem a sua “agenda” e a pena de morte está entre as prioridades. Mas menos normal é a sua contra-argumentação:
“A explicação do Governo é que a opinião pública é favorável às execuções. A nossa revolta é que preferem a opinião pública aos direitos humanos.”
Sublinho a ultima frase. Então se a opinião pública – os eleitores, supõe-se, não sabe, não tem capacidade para se pronunciar sobre a pena de morte, quem terá? Um ou mais “iluminados”, com clarividência e sensibilidade humanitária sobre-humanas, que, de tão “à frente”, sabem qual é o melhor para o povo? Se é isso, basta olhar para História recente para ficar de pé atrás. Não faltam tais personagens, com os respectivos finais colectivos pouco felizes. Mas a questão vai além da postura anti-democrática. Entra, na minha perspectiva, na esfera religiosa. Nada na Declaração Universal dos Direitos do Homem afirma a proibição da pena de morte. Porque aparece, então, a referência aos “direitos humanos”? A ideia com que fico é que, para os representantes da Amnistia Internacional, e de outras ONGs, os “direitos humanos” se transformaram numa espécie de lei transcendente, divina, e eles, quais profetas do Antigo Testamento, recebedores da revelação, trazem-na, do alto, para o povo. Não me interpretem mal: agrada-me a ideia de uma Declaração Universal dos Direitos do Homem. Como rudimento humano, entre outros, para organizar a vida em sociedade. Mas transformar os “direitos humanos” numa lei divina, inquestionável, é um manifesto exagero. Heresia mesmo.
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23:22
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Pedro Leal
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segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
É o chamado "Aquecimento Global".
1- Havel diz na cara a Al Gore, em Davos, que não há Aquecimento Global e muito menos provocado pelo Homem
2- Se entre 1850 e 1998 a temperatura subiu 3 graus, só nos dois últimos anos desceu 0.5 graus.
3- Há dez anos que a temperatura vem baixando, enquanto as emissões de CO2 continuam alegremente a subir.
4-Neva em Londres como não nevava há muito tempo.
5-Cada vez mais cientistas, incluindo alguns da NASA, vão mudando de opinião e dizem que não há base cientificas para a teoria do Aquecimento Global.
em
13:09
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Joao Leal
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