segunda-feira, 30 de Março de 2009

Eu tenho uma forma e uma cor.
Tu, que me lês, tens outras.
A luz quer passar através de nós.
Deus quer tocar assim o que está em redor.
Somos um vitral.
É isso que é acreditar em Deus e no Seu Reino na Terra.
Entre nós.

Nova casa.
Hoje, quando chegar do trabalho, vou fazer o mais importante. Pendurar a reprodução "El Cristo de San Juan de la Cruz", de Dali, numa parede do meu quarto. A seguir, pendurar à entrada, em cima do interruptor da luz, uma pequena placa de madeira com um texto de S.Francisco de Assis que o meu pai trouxe de Pádua. Na sala de jantar, a fotografia dos meus avós maternos.
Então aquela será a minha casa e poderei começar desembalar tudo o resto.

Quem tem mais poder?

O António é um bom rapaz, típico lisboeta da juventude de 80, criado no bairro de Alvalade e mudado para os subúrbios com o casamento.
Pessoa culta, profundo conhecedor da música de Bach, ele é o representante das teorias da conspiração lá no trabalho. Em complemento aos estimulantes debates ocasionais sobre planos secretos e opressores, regularmente lá envia mais um e-mail com um link de um video "didáctico" no youtube, ou de um artigo numa "publicação independente" da net.
A sua maior incongruência é ao mesmo tempo a prova da sua busca de algo maior: não acredita em Deus, mas acredita que há homens com capacidades superiores aos outros, capazes de esquemas planetários; Deus não existe, só poderosas corporações maléficas, quais semi-deuses gregos ou hindus.
Só desejo que um dia a sua esperança se transfira da revolução pela mão do Homem para a redenção pelo amor de Deus.

sábado, 28 de Março de 2009

Primavera


- Eh… olhem ali!… já voltaram!
A família olha na direcção do meu dedo. A mais velha confirma:
- Sim, pai, são todos pretos, são andorinhões!
Observamos por momentos. E depois seguimos caminho.
- Pronto, já sei, amanhã lá vai aparecer o post do costume…
Sim. Cá está o marido previsível a anunciar que eles estão de regresso. A Primavera é oficial.

quinta-feira, 26 de Março de 2009

Manhã gloriosa. Dia limpo e ameno.
Cigarro sobre os telhados antigos de Sintra. Ao descer as escadas de madeira e ao fechar a porta da rua, há ecos: a casa está quase toda vazia. No domingo já estamos na casa nova.
A caminhada breve a apanhar o fresco.
O primeiro café do dia. O homenzinho careca, mal vê a aproximar diz para a rapariga que opera a máquina das bicas "Mais um café".
Passo pelo quiosque. Espreito os jornais. O senhor de barba "Bom dia" e eu "Bom dia".
Subo as escadas. Na plataforma acendo um cigarro. Olho para as pessoas. As suas roupas são já mais leves. As suas caras parecem-no também.
Há mesmo mais luz.
No comboio estico o meu passe ao revisor e ele encosta-o a uma máquina. "Beep" e devolve-mo.
Na viagem leio um livro de espionagem e assassinos. Capítulos curtos. Tento abstrair-me da técnica. De vez em quando "Olha, o tipo faz descrições dos personagens principais" e logo depois "Assim é fácil saber quem será protagonista durante o resto do livro" e depois ainda "Não penses nisso. Concentra-te na história. Deixa-te levar". Um pouco mais à frente dou por mim a contar as páginas dos capítulos "São dez a doze páginas cada capítulo" e "Cada cena é um capítulo". "Não dou mais três para que haja a grande perseguição com a rapariga". Esforço-me por voltar ao livro. A cabeça começa a pensar no que estou a escrever "Talvez devesse ter mais caracterização" e já com o comboio a parar no Rossio "Já sei. Faço duas versões. Uma simples e outra mais violenta e pormenorizada".
Lá fora, na gare de táxis, uma família de ciganos entra num Mercedes. Algumas pessoas acendem cigarros. O castelo de S.Jorge está iluminado pelo Sol de um modo glorioso.
Mais um dia sem doença, com emprego para onde ir, em que comerei quando tiver fome e em que os meus queridos estão todos bem.

Pais e filhos

Escolhi quatro frases, mas vale a pena ler toda a entrevista:

"Todos os pais têm defeitos, os maus são os que acham que a criança tem direito a tudo."

"A crise económica é já um resultado de uma educação irresponsável. "

"Quanto aos casais homossexuais, a criança é como que um produto. Temos direito à felicidade, à saúde, a tudo o que queremos e também a uma criança. Isso é desumanizante."

"O que é um fascista? É um indivíduo que pensa que tem todos os direitos."

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Ida e volta à infância

Há 26 anos que não entrava por aquela porta.
Já tinha passado por ali, reparado que a montra estava diferente, mas do interior só sabia o que a memória guardava.
Desta vez entrei.
Tudo estava diferente: o pátio onde jogávamos à bola já não existia, nem a sala onde aprendi os primeiros coros, a escada descia em sentido contrário, e o salão não tinha janelas, nem luz natural, era angustiante e sombrio, sem aquela simplicidade e espaço arejado da arquitectura dos anos 60.
Mas o que me deixou mais perplexo foi perceber que afinal era tudo tão pequeno, pequeno como as pessoas se tornaram com o passar dos anos.
Toda a memória se baseava na perspectiva de uns franzinos metro e quarenta aos 14 anos.
Será esse o segredo da infância? Tudo parece grande e chama à descoberta, e qualquer distância é uma longa epopeia, apenas porque olhamos sempre de baixo para cima e os nossos passos são curtos?
Uma coisa estava igual, e esse foi o melhor momento do dia: pôr o meu filho de 5 anos em cima do muro de onde caí quando tinha a mesma idade! Explicar como parti o braço, e atestar de uma vez por todas que nunca teria caído se o Jónatas não me tivesse puxado a perna!

terça-feira, 24 de Março de 2009

Fidelidade

A jornada do povo escolhido, do Egipto à terra prometida, constitui um bom exemplo de como Deus cumpre as suas promessas mesmo quando nós não cumprimos as nossas. É esta a maravilha da Esperança cristã: estar fora do alcance da cooperação humana.

domingo, 22 de Março de 2009

Se houvesse verdade desportiva no futebol português....

O Benfica tinha, provavelmente, perdido a Taça da Liga, mas era líder no campeonato.

quinta-feira, 19 de Março de 2009

Dia do Pai

Apostou tudo na audácia de ser um homem verdadeiramente bom e corajoso, contagiando os filhos de forma indesmentível.
Um dia, quem sabe, poderei também vir a ser como ele.

quarta-feira, 18 de Março de 2009

Nascer do sol


As probabilidades são baixas - aconteceu naquele dia, mas levantar cedo pode ser uma experiência positiva.

segunda-feira, 16 de Março de 2009

As crises medem-se aos palmos?

O Banco Mundial (que foi criado há 65 anos) prevê a pior recessão desde a grande depressão; um ex-presidente do FMI diz que a crise é a pior da sua longa vida (o senhor só tem 76 anos).
Se calhar este é o grande erro de todos eles, olham as coisas tendo como padrão eles próprios e a sua curta vida.Por outro lado parece evidente que têm receio de morrer sem ver o seu modelo económico definitivamente aceite e bem sucedido.
Falta-lhes ... sei lá ... talvez ... esperança ... em algo maior ...
Será que eles aguentavam 40 anos de deserto?

Link

Conversas sobre Deus: uma história da vida real.

sábado, 14 de Março de 2009

Change

Como vai a mudança?
Esta semana duas notícias em destaque:
- Barack Obama revogou a lei de George W. Bush, de 2001, que proibia o uso de embriões humanos na obtenção de células estaminais para pesquisa científica (aqui);
- Um ex-presioneiro de Guantanamo, libertado há menos de um ano por não ser considerado uma ameaça, lidera os grupos talibãs que, em Helmand, no Afeganistão, mataram pelos menos 48 soldados britânicos (aqui).

sexta-feira, 13 de Março de 2009

A minha vontade de escrever, de onde vem?
Vem da praia recheada de livros que é o escritório do meu pai.
Vem da Bíblia e das suas passagens fantásticas com que cresci.
Mas, acima de tudo, vem de coisas como esta, que desde menino me habituei a achar como normais nos meus dias.
As histórias da minha mãe.
A forma como ela conta as coisas é estruturada como na literatura de um modo natural, mas ela nem se apercebe disso. Moldou muito a minha maneira de contar as minhas.

quinta-feira, 12 de Março de 2009

Caminho estreito

Ontem conversei com um grande amigo, muito conservador nas questões da religião cristã, e tive uma das grandes surpresas dos últimos tempos.
Percebi, parece-me, as razões da sua maneira de estar tão diferente da minha.
Já tinha tido umas pistas sobre este assunto no sábado passado, em conversa com uma senhora crente de 67 anos. Por outras palavras dizia-me que, desde que se tinha reformado, a sua percepção do cristianismo se tinha alargado de um maior conservadorismo para uma maior abertura aos que vivem a fé de modo diferente. Era uma questão de tempo. Com os filhos e o emprego a ocuparem a vida activa, não tinha tido oportunidade de aprofundar questões ou, se calhar, reparar nelas.
A humildade com que este meu amigo me falava das suas razões para não discutir questões teológicas, que a mim me parecem importantes, convenceu-me.
A sua história pessoal não é igual à minha. É sensível a coisas que eu não sou e vice-versa.
Aprendi há já muito tempo que se pode aprender muito com aqueles de quem discordamos. Mas quando isso acontece com os assuntos divinos, é sempre mais um passo em direcção ao caminho estreito em que espero um dia que Deus me veja.
Suponho que o meu amigo e amiga poderão ler este post. O meu obrigado sincero a ambos. Se tivesse estado mais atento, e disposto a ouvi-los, há muito que poderia ter sabido isto. Afinal de contas eles sempre estiveram perto. Sempre.

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Parabéns igreja

A minha igreja faz hoje cinquenta anos.
É pequenina, talvez ridiculamente pequena aos olhos humanos, calorosa, na fraternidade e nas lágrimas de gratidão, e dura, quando enfrenta as tempestades. Nos seus altos e baixos Deus dobrou o meu coração.

Paulo Bento - O papa-recordes



PB vai ficar para a história como o treinador que mais goleadas levou numa época sem que ninguém se chateasse com ele. Há 4 épocas basicamente com o mesmo plantel, evolução zero e parece que ainda por lá vai ficar por muitos e bons anos. Notável e auspicioso.

segunda-feira, 9 de Março de 2009

O fim das coisas não é quando o Homem disser

As alterações climáticas ainda não chegaram aos provérbios populares.
Hoje saí de casa às 06:30, encasacado e encolhido do frio, cheguei por volta das 15:30, todo transpirado, cheio de calor.
Lembrei-me do dito: Março, Marçagão, de manhã Inverno, à tarde Verão.
Afinal em quem é que havemos de acreditar?
A coisa está ou não a mudar?
Ou será que a mudança, aqui e ali, sempre fez parte da natureza?

Todos Nós

Traz vestido um fato treino rosa. Tem um cabelo curto, cor de palha. Corpo frágil e delgado.
Avança devagar pela rua, tacteando com a bengala. Os caixotes do lixo são obstáculos que passa com lentidão.
Pára. Interpela um homem que passa. Ele dá-lhe indicações.
O homem vai-se embora e ela fica no passeio, parada. Depois, volta atrás e detém-se um pouco em frente a uma porta.
Não deve ser totalmente cega. Ainda conseguirá, calculo, ver sombras e vultos.
Volta de novo ao seu caminho. Lentamente. Pára aqui e ali. Mais à frente perguntará a um casal de jovens.
De novo retomará o seu caminho, parando, ao longo da rua, nas portas dos prédios.
Ela procura.
Quantas vezes por dia voltará atrás nos seus percursos, com as dúvidas de quem não vê?
Eu sou como ela. Deus é a quem pergunto.

sexta-feira, 6 de Março de 2009

No mau caminho

E lá continuamos nós no mau caminho. Já chegámos aqui. Sem surpresas, diga-se. Ou não será o infanticídio o degrau lógico após o aborto?
Recortei há uns tempos, aleatória entre tantas, a seguinte notícia:

Reparem: uma criança e uma deficiente. Não é por caso. A renúncia à justiça castiga sobretudo os mais vulneráveis. Quem tem força, poder reivindicativo, protege-se. Quem não tem… tivesse. É a lei do mais forte. Vamos a caminho.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Lembranças que o vento traz

Havia na horta da nossa infância um poste como este.
Quando o vento era mais forte entoava uma melodia grave que nunca mais ouvi.
Agora tudo se passa em cabos de fibra óptica escondidos sob os nossos pés.
Por isso gosto dos dias ventosos. O vento no rosto e o cantar dos ramos das árvores lembra como o prazer pode ser simples e bom.

quarta-feira, 4 de Março de 2009

Os lemingues da economia

Um jornalista na CNN perguntava: “Como se podem perder 47 mil milhões de Euros (47 000 000 000.00€ *) num trimestre? Como a seguradora AIG se reclama ter feito.”
A resposta que ele encontrou estava num relatório de contas de um banco inglês: “Os produtos financeiros tornaram-se tão complexos que era difícil, mesmo para os mais experientes gestores, saber o que estavam a comprar.”
Ou seja, para não ficarem mal vistos, foram todos uns atrás dos outros, mesmo sem saberem o que estavam a fazer!
Como aqueles condutores na Auto-Estrada: uns querem que todos circulem a 160 como eles, para que isso seja “normal” e eles não sejam multados, outros não querem ser feridos no seu orgulho e quais lemingues aceleram atrás dos outros.
Todos se esquecem que nunca há só uma maneira de fazer as coisas, há sempre uma outra maneira para tudo, aquela que a nossa moral e ética social nos indica.
Por isso eu desconfio sempre quando ouço dizer: “Tomámos esta decisão porque era a única possível e acertada.” (lembra-vos alguém?)

* Dava para pagar um salário de 1000 euros por mês a 3 milhões de pessoas durante um ano

terça-feira, 3 de Março de 2009

O Mais Parvo Post de Sempre

Há algo de magistral na falta de espectacularidade da vida de 99 % da população.

Cada indivíduo a carregar em si um potencial de escondido drama muito imponente

Olhos postos nos media fazem suspirar esses poços sem fundo de preocupação.

São o Sócrates e o Freeport. O Magalhães, o Nino e a Crise que é o mais premente.

Agora, sentar-se à mesa com outro para comunicar o que lhe vai na alma é que não.

E bem vistas as coisas, porque haveriam as pessoas de actuar de modo diferente?

Vá, digamos de uma vez só o que tem de ser dito, mesmo que fira o orgulho cidadão:

Vive-se num sonho avariado e mentido de liberdade e respeito e ninguém é inocente

O circo gira à nossa volta: os leões, os cuspidores de fogo e o algodão doce na mão

Extasiado, esquece-se o cidadão de quem é, padece de consciência já dormente

Mas as coisas andam, rodeando o sofá, o comboio, a mesa da cozinha e a televisão

Somos felizes e satisfeitos assim e quem quiser dizer contrário de certeza que mente

Escrevi isto porque vi um filme em dvd sobre Hip Hop e me apaixonei por uma canção

E quis experimentar escrever uma coisa longa, para ser cantada rapidamente

A métrica mais ou menos, critica social e arrogância para saber se ainda tenho mão

No fim de tudo, como é fácil de ver, o resultado não é nada bom, falhei redondamente.

Eu vi um pato

Eu vi um pato.
Um não, afinal eram três.
E uma garça também.
Onde?
Na ribeira que atravessa o Cacém.
E as pessoas caminhavam junto a relvados verdes e limpos.
O suburbano morreu, viva o novo suburbano.

Quando quero fumar, desço umas pequenas escadas de madeira e faço-o a uma janela numa parte da casa que é separada da área comum.
Ao meu lado esquerdo está uma sapateira alta. Em cima da sapateira está um postal.
De cada vez que vou acender aí o meu cigarro, pego nesse postal e leio-o duas ou três vezes.
Foi-me dado no sábado, no meu jantar de aniversário.
A ilustração não a consegui ainda fixar. Talvez uma gaivota e talvez um pensamento daqueles que serve para encorajar.
O que me interessa está no verso. Seis pequenas mensagens deixadas pelas pessoas que comigo celebraram.
Seis das oito pessoas a que posso chamar de queridos. Os outros dois não puderam estar presentes.
Sem qualquer uma delas, o meu mundo desabaria.
Não me lembro de melhor prenda, de coisa mais útil. Talvez só uma t-shirt que os meus irmãos me deram quando fiz 20 anos a dizer "Ninteen Forever" e que usei intensivamente até se estragar e perder numa das muitas mudanças de casa que já fiz na minha vida.
Quando não sei bem o que fazer, ou quem sou, leio nos olhos dessas pessoas a orientação. É como se pegassem em mim com simpatia, me pusessem em frente a um espelho e apontassem em mim o que de melhor tenho "Estás a ver aqui? És assim." ou, apontado para outro sitio, "É por causa disto que talvez o melhor a fazer seja..."
Os meus queridos servem-me como eu lhes sirvo. Dizem-me o que está nos ângulos mortos dos meus dias. E, quando me esqueço, ajudam-me outra vez com uma paciência que, por ser tanta e tão desinteressada, me comove sempre.
No postal, cada mensagem tem uma letra diferente. As mensagens curtas são únicas e reconheço-as como só podendo ter sido escritas pelas mãos daquelas pessoas.
Aquele pedaço de cartão frágil é uma bússola que me deixaram no sábado passado.
O melhor presente de sempre talvez se perca um dia, como a t-shirt se perdeu, mas haverá, queira Deus, mais aniversários para celebrar e outras bússolas a receber.

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Ex-Funcionário público - 1/0 - Engenheiro empreiteiro

Junto ao bairro onde moro estão a construir uma ponte para melhorar os acessos a uma via rápida. As obras decorrem há cerca de 2 anos, por isso já nos habituámos a periodicamente ter que descobrir novos caminhos, por causa dos cortes de trânsito e estradas provisórias que vão sendo construídas.
Mas na semana passada fiquei mesmo chateado. Depois de mais uma noite de máquinas a trabalhar até o dia nascer, pela manhã o trânsito estava um caos. As indicações de desvio que foram colocadas levavam as pessoas todas para uma estrada entre muros, onde em alguns sítios só passa um carro de cada vez. E afinal havia um caminho mais fácil, só que não estava assinalado. Mais fácil do tipo demorar 10 minutos em vez de 40!
Tomado de uma ousadia que desconhecia (deve ter acordado aos 40 anos) fui procurar, na obra, alguém responsável para lhe manifestar o meu desagrado e propor a alternativa.
Encontrei 2 tipos de pessoas:
- o "engenheiro" da empresa construtora, de camisa Sacoor por baixo do colete verde, que só dizia, por trás dos seus óculos escuros, que era mesmo assim, que o caminho que eu falava também era mau, que não havia nada a fazer e que as Estradas de Portugal é tinham mandado fazer assim;
- e o "senhor" das EP, que apareceu passados uns minutos, homem dos seus 50 e picos, rosto marcado e moreno de quem trabalha debaixo de sol e chuva, e que depois de me cumprimentar com um aperto de uma mão calejada e rugosa, concordou comigo e me pediu compreensão, porque o trabalho se tinha atrasado durante a noite e que ele ainda andava a corrigir as placas.
Fiquei sensibilizado, afinal aquele homem que tinha sido funcionário público toda a vida e agora é trabalhador de uma empresa de capitais públicos (ou seja, o trabalho e a empresa são os mesmos, mas perdeu todos os benefícios ligados ao estado) foi muito mais eficiente e respeitador que o suposto empreendedor, contrariando o mito do funcionário público pouco zeloso.
Como eu sempre pensei, o país avança pelo esforço dos que sempre trabalharam e não pelo nascimento espontâneo de uma nova raça de gestores, engenheiros e empresários iluminados.
Resta dizer que pela hora do almoço as placas já indicavam o caminho que eu tinha sugerido.

 
Site Meter