terça-feira, 30 de Junho de 2009

GNING

(...)
Convenci-me, então, que não me incluia em nenhum grupo, a não ser, claro, no Grupo dos que Não se Incluem em Nenhum Grupo.
Ser um membro activo do GNING, um GNING a sério, dá trabalho. Não basta dizer que se é. São precisas horas de Gning esforçado a sair-nos do corpo, com todos os sacrificios inerentes em termos pessoais e sociais, para que um atinja um nível mais ou menos razoável.
A Vontade de Não ter Idolos é determinante, é certo, mas mais importantes ainda são a Desconfiança e a Falta de Interesse. Se a isto se conseguir juntar um Sei Mais do que os Outros, sendo que a equação seria

D+FI+SMOxVNI =1

estamos no caminho certo para podermos aspirar às cerminónias iniciáticas GNING.
A iniciação GNING começa bem cedo para a maioria das pessoas. A vontade de contestar à esquerda e à direita e acima e abaixo são os primeiros sinais. O balanço correcto é árduo de se obter, mas por volta dos 30 anos de idade a recompensa vale a pena. Já com a Ironia e o Sarcasmo bem afinados, o Gning adulto move-se, quer subtil, quer arrojadamente, com eficácia em qualquer ambiente.
A procura de isolamento voluntário, muito diferente dos tão comuns isolamentos por birra e por mágoa, deve ser auto-incentivado. Perceber que o poder estar sozinho quando se quer é o bem maior que se pode ter é imperativo. As dúvidas, que ocorrem quando um sabe que há conhecidos a divertir-se à grande algures, e que ocorrem principalmente à noite, devem ser contrariadas por actos de fé como ver televisão, jogar jogos video, alugar dvd's ou, em casos limite, telefonar à familia.
O gozar com grupos ajuda. O fuçar em toda e em qualquer contradição de grupos organizados tem resultados garantidos. Religião, Política e Modas Culturais são brincadeira de crianças. Já o Desporto oferece mais luta e só Gnings já com um certo arcaboiço poderão aspirar a desprender-se desses tão mais dificeis do que todos os outros caminhos.
Como terceiro passo iniciático, é necessário ao GNING construir a ilusão de que a sua vida tem um propósito maior do que o da maioria dos mortais: não pertencer. Esta ilusão poderá estar ligada, ainda que de um modo leve, a algumas patologias psiquicas como a Megalomania. Ao membro Gning convém ter projectos em curso numa fase inicial da sua adesão. Mais tarde, com a maturidade Gning, atinge-se o maravilhoso estado de Afinal Nâo Preciso de Fazer Nada. São raros os crentes que atingem este estado.

(...)

In Por Dentro do Gning: Uma Viagem ao Submundo do Nada, Vincent Bengelsdorff, Lisboa 2009

Isto incomoda

Em Copenhaga, um grupo de cientistas reune-se para produzir um relatório sobre o perigo de extinção que o Urso Polar corre por causa do Aquecimento Global.
A Mitchell Taylor, que estuda os ursos há 30 anos, e é um dos maiores especialistas mundiais, foi barrada a entrada na reunião e na produção do medonho relatório.
Porquê? Porque não subcreve a tese do Aquecimento Global e porque tem provas que as populações dos ursos, longe de estarem a decrescer, estão a aumentar e num estado óptimo.
A justificação do director do evento pela nega da participação ao Dr.Taylor não poderia ser mais limpida "o facto de estar contra a a responsabilidade humana nas mudanças climáticas é extremamente desencorajante (not-helpful)".
Numa semana em Paul Krugman disse que os que não acreditam na tese de que o Aquecimento Global é causado pelo Homem deviam ser acusados de "Traição", percebe-se que algo de muito feio está mesmo a acontecer.

Rua Garrett





Wikipedia - "A Rua Garrett é o centro do Chiado, pólo intelectual de Lisboa do séc. XX. Ligada pelo Largo do Chiado e pela Rua do Carmo é em seu redor que se situa a ópera (Teatro Nacional de São Carlos), bem como o Teatro São Luiz e o Teatro da Trindade; as mais famosas livrarias da cidade, como a primeira Livraria Bertrand, fundade em 1732; o Grémio Literário do Chiado; ou ainda o centenário Café A Brasileira, onde já se reuniram grandes vultos da cultura portuguesa do século XX."

A partir de amanhã deixo trabalhar no Chiado.
No total foram 9 anos passados entre os Armazéns, a Rua Garret e a Anchieta.
Avanti!

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Merece registo

Um sábado com a família, amigos, projectos reactivados e o regresso às pedras, ao verde e ao vento da Serra de Sintra.

Foto de Viviana Leal (Há mais aqui)

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

A época começa bem

Aimar e Saviola juntos de novo, no Benfica.

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A mudança

Talvez a consequência mais inesperada das recentes eleições europeias seja a visível desorientação do PS. Primeiro com a súbita, e entretanto, aparentemente, abandonada, mudança de estilo de José Sócrates, depois com a substituição do porta-voz, sem, na minha opinião, melhoria, e agora com a desastrada tentativa de atingir a incómoda TVI. Na verdade, o que aconteceu foi que Manuela Ferreira Leite ao ganhar as eleições partiu os pés de barro da estratégia socialista. A ideia que passava para opinião pública era que não havia alternativa ao actual primeiro-ministro, por muito mau que ele fosse. MFL nunca ganharia eleições nem tinha capacidade para decidir correctamente. Ao provar-se que, afinal, MFL pode ganhar eleições e, uma vez que Paulo Rangel foi escolha sua, também toma decisões acertadas, a bola passou para o lado do PSD. Para muitos eleitores há agora uma alternativa em consideração. E isto é mau para o PS, porque tem para contrapor um país em crise. É daqui que vem a desorientação dos socialistas: dependem do que o PSD fizer. A decisão não está nas suas mãos. Está nas mãos de MFL. Se ela for minimamente convincente, José Sócrates deixará de ser primeiro-ministro.

terça-feira, 23 de Junho de 2009

A integridade não passa anónima

"O Senhor conhece os dias dos íntegros; a herança deles permanecerá para sempre."
Salmos 37:18

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Religião de Estado

JONAS 3

1 E veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo: 2 Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela a pregação que eu te disse. 3 E levantou-se Jonas, e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor: era, pois, Nínive uma grande cidade, de três dias de caminho. 4 E começou Jonas a entrar pela cidade, caminho de um dia, e pregava e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. 5 E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor. 6 Porque esta palavra chegou ao rei de Nínive, e levantou-se do seu trono, e tirou de si os seus vestidos, e cobriu-se de saco, e assentou-se sobre a cinza. 7 E fez uma proclamação, que se divulgou em Nínive, por mandado do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê pasto, nem bebam água. 8 Mas os homens e os animais estarão cobertos de sacos, e clamarão fortemente a Deus, e se converterão, cada um, do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. 9 Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? 10 E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho: e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria , e não o fez.

Um episódio bíblico que relata como uma religião de estado conseguiu agradar a Deus e ser importante para o seu povo.

quinta-feira, 18 de Junho de 2009

A cada geração o seu apocalipse

Assistindo a um tele-disco (era assim que se dizia) do princípio dos anos 80.
- Pai, porque é que aquelas pessoas têm as roupas rasgadas e está tudo partido na rua?
- Isso é para simbolizar os efeitos que pode ter uma bomba atómica.
- Hã... bomba quê?
- Bomba atómica... Não me digas que não sabes o que é?!
- Hum... não. O que é?
- Bom, é uma bomba muito destruidora... como hei-de explicar... olha, é uma bomba tipo aquecimento global.

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Citação

"Para o povo ser livre, é necessário que seja religioso e honesto; não, que seja crédulo. Para que ele seja religioso e honesto, é necessário que conheça as doutrinas do Evangelho..."

Alexandre Herculano, "Opúsculos", vol. 3º

terça-feira, 16 de Junho de 2009

Lino Vilela

Há uns anos atrás um personagem chamado Lino Vilela gravou, para um projecto agora em profundo stand-by, uma canção intitulada “Não vou cantar no S. João”. A ideia era fazer uma abordagem popular, a resvalar para o pimba, à música cristã. Na canção em causa, Lino, recém-convertido, explica ao Presidente da Junta porque razão nesse ano não iria actuar nas festividades do padroeiro local. A letra é a seguinte:

Não Vou Cantar no S. João

Desculpe sr. Pinhão,
Mas este ano não vai dar,
Não é nada contra a Junta
Mas não vou mesmo actuar.
É que eu aceitei Cristo
E agora vejo bem
Toda a idolatria
Qu’essa festarola tem.

Se cantasse nesse baile
Eu iria dar razão
A quem paga as promessas
E marcha na procissão,
E isso não farei
Porque eu prezo a minha fé,
Que não mora em estatuetas,
Mas em Jesus de Nazaré.

(refrão) Eu este ano não vou cantar no S. João. (4x)

Jesus é o caminho,
E só esse eu vou mostrar.
O resto é falsidade
Que está aí p’ra enganar.
Por isso, sr. Pinhão,
Eu não posso mesmo ir.
Vida e morte não combinam
E é preciso decidir.

Se cantasse nesse baile
Eu iria dar razão
A quem paga as promessas
E marcha na procissão,
E isso não farei
Porque eu prezo a minha fé,
Que não mora em estatuetas,
Mas em Jesus de Nazaré.

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

É por estas e por outras...

( apaguei o post a pedido do autor)

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Dilema paternal

O que é melhor?
Um exercício de disciplina e autoridade paternal para tentar incutir obediência e ao mesmo tempo salvar um vulgar prato de loiça.
Ou arriscar perder o prato, ter que varrer os cacos do chão da cozinha e esperar que a criança de 5 anos perceba que as suas pequenas mãos ainda não podem fazer tudo o que os adultos fazem.
Optei pela segunda opção e o prato partiu-se mesmo.
Mas a reacção humilde da criança foi o momento mais doce daquele dia.

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

O que valem 400 escudos de há 25 anos

Hoje saí de casa à pressa com destino a mais um dia de trabalho. "Dia" que decorre das 00:00 às 07:30, mas isso são pormenores.
Já descia as escadas do prédio quando me lembrei de verificar se tinha dinheiro na carteira.
Encontrei apenas moedas, cerca de 3 euros e meio.
Chega para o café das 02:00 e para tirar qualquer coisa da máquina das sandes, mas fico sem recursos para qualquer imprevisto onde não haja MB.
Hesitei: ou volto a casa para ir buscar uma nota de 20 ao envelope da reserva doméstica, ou sigo mesmo assim e não há-de acontecer nada.
Então disse para comigo:
- Não sejas mariquinhas Miguel! Uma vez meteste-te à boleia sozinho para passar o fim-de-semana a 350 km de casa e levavas 400 escudos no bolso (para os mais novos, cerca 2 euros), e agora estás com aflições e só tens que ir ao trabalho e voltar.
Prosegui o caminho com o que tinha.
Ás vezes pergunto-me: se não tivéssemos estes fastasmas adolescentes e juvenis para nos guiarem, que decisões tomaríamos na nossa vida? Encontraríamos igual ingenuidade e inconsciência infantil aos 40, para avançar perante o desconhecido?

O Partido das Cadeiras Vazias

Um dos fenómenos interessantes das últimas eleições europeias foi a elevada percentagem de votos brancos e nulos – 6,63%. Mais de 200.000 pessoas por essa Europa fora deram-se ao trabalho de ir até à mesa de voto para não escolher qualquer dos candidatos do boletim.
Como seria se esses votos contassem?
O Partido das Cadeiras Vazias (mandatos ganhos pelos votos brancos e nulos) seria uma forma profundamente democrática de dar espaço ao protesto pelo estado do sistema político. Teria mais legitimidade do que a falta de comparência da abstenção, e causaria mais danos (menos lugares) aos partidos e candidatos instalados.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Aquelas coisas que nos acontecem e marcamos.
Em tempos sonhei, num final de tarde de Agosto, uma maldição que fixei com um estandarte.
Neste domingo, passados 15 anos, o mesmo sonho, mas com um sentido oposto de libertação.
A coisa mais extraordinária que me aconteceu.

O caír das utopias

António Chora, nascido alentejano e criado na "margem sul" do Tejo, sindicalista convicto, ex-militante comunista, membro da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, em entrevista à Lusa:
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- Tenho pena de não ter podido estudar mais. (tem o secundário e começou a trabalhar cedo)
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- Os meus filhos estudaram, ambos têm um curso superior, ela é licenciada em gestão de recursos humanos e ele em engenharia de automação, mas não sei se terão um futuro tão próspero como eu desejaria ... pois estamos pela primeira vez na história numa situação em que a próxima geração vai ter uma vida pior que a dos pais ... mas pelo menos têm ferramentas para se lançar numa vida, que pode não ser tão má como a de outros.

A utopia socialista/humanista do homem novo/vida melhor como objectivo final e resultado natural das sociedades humanas vai perdendo adeptos, à medida que a vida transforma homens idealistas em homens sábios.

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

O martírio no futebol

Os meus colegas que gostam de futebol falam de um novo treinador para o SLB chamado Jesus.
Desconheço a carreira ou a competência do técnico em causa, mas achei curiosa a ironia: se os resultados não forem bons, lá pelo Natal, teremos um outro Jesus num outro tipo de crucificação.

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Globalização

A minha igreja, pequena numa cidade pequena, não escapa ao século XXI. Há crentes vindos de lugares impensáveis apenas há uma década atrás. Da Rondónia, Brasil, de que só ouvia falar nos documentários sobre a Amazónia mais recôndita. Da Moldávia, essa parte incógnita de um mundo fechado atrás da Cortina de Ferro. Qual o impacto destes encontros nas igrejas portuguesas? Não sei. Mas, olhando a história da Igreja e, em particular, a dos evangélicos portugueses, estou optimista com esta globalização.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Saber e compreender

Jogar futebol, sobretudo se o jogo for bem puxado, pode ser uma boa ocasião para perceber a diferença entre saber e compreender.
Eu sei que tenho quarenta e dois anos.
Ao jogar, eu compreendo que tenho quarenta e dois anos (ou, pelo menos, compreendo que já não tenho vinte…)

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Contra-cultura cristã

”A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe.”
Provérbios 29:15

O Estado diz que dar palmadas nos filhos é crime. A Bíblia diz que o castigo, que pode ser físico, faz parte da boa educação da criança. Vale mais obedecer a Deus ou aos homens?

(Para os que vêm no post uma apologia da violência digo, usando a boa tradição metafórica, que é absurdo querer proibir os fósforos por causa dos incêndios florestais.)

 
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